Sonda chinesa ajusta órbita e se prepara para pousar no lado afastado da Lua

Lançada no início de dezembro pela CNSA (a agência espacial chinesa), a sonda Chang’e 4 já entrou na órbita planejada ao redor da Lua, preparando-se para pousar no lado afastado do nosso satélite lunar. Esta será a primeira nave construída por humanos a pousar no hemisfério lunar que jamais é visto daqui da Terra. A sonda, de acordo com a CNSA, entrou em órbita lunar elíptica na manhã de domingo (30), com os agentes chineses confirmando que as comunicações com o satélite de retransmissão Queqiao estão acontecendo normalmente. O satélite é necessário para que a comunicação entre a sonda, que está do outro lado da Lua, consiga se comunicar com a Terra. Para isso, o Queqiao orbita uma região além do satélite natural, exatamente em um ponto em que a gravidade lunar e a da Terra se compensam mutuamente.

A agência também confirma que os instrumentos de imagem e demais sensores estão funcionando devidamente, com tudo, então, estando pronto para que o pouso aconteça. Contudo, a CNSA não divulgou o dia e horário que esse feito histórico acontecerá, e tampouco fará transmissões ao vivo como é de costume em outras agências espaciais. De qualquer maneira, espera-se que nos próximos dias o pouso seja feito.

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Arte mostra o rover da missão Change’4 na superfície do lado afastado da Lua (Imagem: CNSA)

A sonda Change’4 é composta por um módulo de aterrissagem e um rover, que percorrerá parte da superfície lunar que faz parte do lado afastado do satélite. Como o ciclo de revolução da Lua é o mesmo de seu ciclo de rotação, o mesmo lado fica voltado sempre para a Terra. Por isso o “outro lado” é tão misterioso, uma vez que não pode ser observado por telescópios terrestres, somente tendo sido visto por nós por meio de sondas orbitais e pelos voos ao redor da Lua realizados pela missão Apollo, da NASA, entre as décadas de 1960 e 1970.

A missão chinesa pretende levantar dados preciosos dali, como dados topográficos, composição mineral e a estrutura da superfície, além de medir a radiação de nêutrons e átomos neutros da região. Ainda, outro objetivo é estudar a geologia deste outro lado lunar, com a sonda analisando o solo para descobrir a viabilidade de se cultivar vida vegetal por lá. Além disso, a agência espacial chinesa também quer usar todos os dados coletados na tentativa de viabilizar a criação de uma base lunar fixa que permita explorações posteriores e contínuas.

Fonte: Moon Daily