Após pedir cancelamento de licenças, MPF apresenta mineração sustentável a garimpeiros do AP

Um projeto que propõe uma mineração sustentável vai ser apresentado para trabalhadores da área de garimpo do distrito de Lourenço, no município de Calçoene, a 374 quilômetros de Macapá. A alternativa vai ser mostrada durante audiência pública realizada pelo Ministério Público Federal (MPF) do Amapá. Os trabalhadores sobrevivem da lavra de ouro há mais de um século no garimpo do Lourenço, que é o mais antigo em atividade na região Norte.

Em outubro, o MPF recomendou a órgãos federais e estaduais que cancelem as licenças e impeçam novas licenças de exploração mineral na faixa de divisa entre os municípios de Oiapoque e Calçoene, no norte do Amapá, onde ocorre a extração principalmente de ouro. É nessa região que fica o Lourenço. O órgão explicou que quer que a exploração mineral na região seja mais frutífera para a comunidade tradicional, sendo possível diminuir perdas, otimizar a produção, reduzir os impactos ambientais e aumentar a confiabilidade dos garimpeiros e das famílias residentes no entorno econômico e social da mineração no Lourenço.
Na audiência pública será explicado como vai ser implantado o projeto, que deve contar com a participação ativa dos garimpeiros. Participam do encontro os procuradores da República Antônio Diniz e Ana Carolina Bragança, e, ainda, os integrantes do Núcleo de Pesquisa para a Mineração Responsável, da Universidade de São Paulo (USP).
A audiência pública, organizada para discutir o futuro da mineração no garimpo do Lourenço, acontece na segunda-feira (10), no auditório da Escola Estadual Juvenal Guimarães Teixeira, das 9h às 12h, no distrito do Lourenço, em Calçoene. Há um ano, o MPF, a Polícia Federal e outros cinco órgãos deflagraram a operação Minamata, para conter a atuação de organização criminosa que explorava ouro e outros recursos naturais utilizando-se de mão de obra submetida a condições de trabalho análogas às de escravo na região do Lourenço.
Fonte: G1