Vale vai bombear US $ 500 milhões na mina de níquel e finaliza parceria

A Vale, maior produtora de níquel do mundo, planeja investir US $ 500 milhões em sua própria mina de níquel da Nova Caledônia, depois de prometer encontrar um parceiro para o empreendimento. A decisão da Vale de investir apenas no projeto, de 2019 a 2022, reflete o novo entendimento da empresa sobre a importância de um esperado aumento nas vendas de veículos elétricos (EV), disse o CEO Fabio Schvartsman na terça-feira.

“A decisão de continuar por conta própria foi tomada porque (Nova Caledônia) poderia ser uma parte muito importante da estratégia para suprir o níquel, especialmente dada a revolução dos EV”, disse ele a jornalistas após a apresentação do dia do investidor em Nova York. “Pensávamos inicialmente que poderíamos ter um parceiro, mas foi em um momento em que não tínhamos clareza sobre a revolução dos EVs”.

O níquel, um dos principais insumos para a maioria dos tipos de baterias de lítio, incluindo as usadas em carros elétricos, atingiu uma baixa em vários meses na semana passada, com o aumento da preocupação com a demanda por preços de aço chineses e com as tensões entre os Estados Unidos e a China.

Acima do orçamento e anos atrasados ​​quando começou em 2010, o projeto Nova Caledônia, localizado em uma ilha do Pacífico, acumulou perdas de quase US $ 1,3 bilhão entre 2014 e 2016. Os problemas da operação contrastam com o principal negócio de minério de ferro da Vale, que vem produzindo caixa nos últimos trimestres graças à melhoria dos preços e à demanda robusta da China.

A Vale reduziu na terça-feira as previsões de saída de 2019 para o níquel, também usado para fazer aço inoxidável, para 244 mil toneladas de níquel no ano que vem, abaixo das 263 mil toneladas previstas há um ano. Longe da Nova Caledônia, a Vale informou que fechou acordo com a mineradora Glencore para explorar conjuntamente a mineradora Victor, para as minas de cobre e níquel, e Nickel Rim South, da Glencore, ambas baseadas no Canadá, citando redução de custos e despesas de capital graças ao empreendimento.

A mineradora brasileira manteve suas perspectivas de produção de minério de ferro em 390 milhões de toneladas para este ano e 400 milhões de toneladas para 2019 e 2020. Schvartsman, cujo mandato de dois anos termina em maio, reiterou seu interesse em permanecer e disse que as discussões estão em andamento sobre seu futuro papel, incluindo a possibilidade de renovar seu contrato.

“Vamos chegar a um acordo. Eu não poderia me divertir mais do que administrar essa empresa”, disse Schvartsman. A Vale informou que gastou US $ 360 milhões em despesas relacionadas à limpeza do colapso mortal da barragem de rejeitos da Samarco que detém em conjunto com a BHP Group, mas os executivos se recusaram a comentar o estado das negociações com os detentores de bônus do empreendimento.

Mas uma fonte com conhecimento do assunto disse que as duas empresas iniciaram conversações com os acionistas da Samarco duas semanas atrás. A Vale espera retomar as operações em 2020, então agora a Samarco pode prever seu fluxo de caixa para fazer uma proposta aos detentores de bônus, acrescentou a fonte, pedindo anonimato porque eles não estão autorizados a discutir o assunto publicamente.

O diário financeiro brasileiro Valor informou separadamente que Schvartsman também disse que a estratégia da empresa daqui para frente será fazer aquisições de minério de ferro de tamanho médio que tenham sinergia com as minas existentes.

Fonte: O Petróleo