Joinville cresce no segmento de cobre

O empresário Renato Feres lidera negócios do segmento de cobre e, ao longo deste ano, comandou o planejamento e construção de nova unidade de processamento da matéria-prima em Joinville. CEO da Copper Indústria, agora cria a Recope, esta a primeira planta de refino de cobre do Sul do país e a terceira do Brasil com esta característica. A seguir, os principais trechos de entrevista exclusiva.

Qual é o significado da instalação dessa nova planta?

Renato Feres – A nova unidade muda o contexto. Como é a primeira do gênero na região Sul no refino de cobre, coloca Joinville num patamar diferenciado nesta área da indústria. A exemplo da Copper Indústria, a Recope também fica no Perini Business Park. Então somos a força conjunta da Copper Indústria (laminados); da Recope (refino) e da holding, que é a Metal Group.

Qual é a capacidade de produção da Recope?

Feres – A capacidade de produção de refino de cobre, nesta nova unidade, é de 70 mil toneladas por ano. Estamos bem posicionados nele. Com a Recope temos a expectativa de atender 30 mil toneladas/ano, que é o tamanho do mercado nacional e, também, abrir espaço para atingirmos o mercado externo. Em 2019 vamos ter condições de produzir 20 mil toneladas na nova unidade, aumentando para 30 mil no ano seguinte. E, já em 2020, também abrir negócios no exterior. As exportações estão no nosso radar, oportunamente, sim.

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Qual é a estratégia para a nova unidade?

Feres – A estratégia para a Recope é distinta daquela usada para a Copper. No caso da Recope, vamos captar matéria-prima no Sul do País. A região consome cobre e tem importantes players industriais aqui por perto, que utilizam o cobre na fabricação de seus produtos: Embraco, WEG, por exemplo. São duas grandes empresas, de ramos da linha branca (refrigeradores, condicionadores de ar) e mecânica (motores), respectivamente, a usar muito cobre. Os três Estados do Sul vão nos fornecer 36 mil toneladas de matéria-prima.

E se precisar expandir?

Feres – Aí importaremos sucatas de outros países para processar aqui e, na sequência, exportar. A unidade da Recope tem 5.500 m2, em galpão dentro do Perini. Empregamos 140 trabalhadores diretos, alcançando 500 indiretos. A tecnologia de refino de cobre vem da Espanha.

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Qual é o cronograma para a produção na Recope?

Feres – Nosso planejamento de operação prevê, em janeiro de 2019, iniciar a produção efetiva. O projeto foi concebido em fevereiro de 2017 e, em maio de 2018 contratamos os primeiros engenheiros. Quatro meses depois, em setembro, assinamos a compra de equipamentos.

Por que instalar empreendimentos de cobre em Joinville?

Feres – Explico: quando se pensa em cobre virgem (importado), a origem é o Chile. E o Peru. Geograficamente, a primeira parada de mercadoria transportada destes dois países, para o Brasil, é Santa Catarina. O Estado tem as melhores estruturas portuárias. E, ainda, o ex-governador Luiz Henrique da Silveira ajudou ao criar mecanismos e regras fiscais, com a concessão de incentivos importantes para a indústria do cobre. Geograficamente, Santa Catarina é o melhor lugar. E, dentro de SC, Joinville, sem dúvida, é a melhor cidade.

E a concorrência? 

Feres – Até mesmo no campo do refino de cobre, o Estado catarinense é o melhor ambiente. Os concorrentes estão, principalmente, no interior do Rio de Janeiro e de São Paulo, portanto a 1.500 quilômetros de distância. No nosso negócio, como de resto, em muitos outros, logística é o fator decisivo de competitividade. Estamos muito próximos do Paraná e do Rio Grande do Sul e isto representa vantagem competitiva muito importante. A planta nova deverá a bastecer 60% do mercado.

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Como surgiu a intenção de atuar no ramo do cobre?

Feres – A origem dos negócios com cobre, na minha família, começou com meu avô, há 80 anos. Nunca deixamos de atuar no segmento.

O mercado do cobre no Brasil encolheu drasticamente nos anos recentes. Foi efeito da crise?

Feres – Verdade. Os números indicam isso claramente. Em 2010 o tamanho desse mercado era de 430 mil toneladas Sete anos depois caiu para a metade – 220 mil toneladas -, e, neste ano de 2018, é de 250 mil toneladas, um leve aumento.

Qual é a dimensão desse recuo?

Feres – Veja o tamanho do estrago: a queda de 1 ponto percentual na formação da riqueza (no Produto Interno Bruto) significa recuo de 3,3 no negócio do cobre. Os grandes clientes são a construção civil, os setores ligados à infraestrutura, o setor automotivo e os negócios vinculados à iluminação pública. Aliás, a indústria automotiva nacional está crescendo de forma consistente neste ano, mas a retração na Argentina influiu negativamente no volume total de exportações.

A construção civil…

Feres – O segmento está estagnado. A área de infraestrutura começa a se mexer, e o setor de eletrodomésticos retoma os negócios. E outra notícia boa é que a área de telefonia móvel está em constante evolução, com investimentos importantes em antenas, por exemplo. Há boas expectativas com o governo Bolsonaro.

Fonte: NSC Total