Parceria UFMG-Codemig ajuda a impulsionar tecnologia no setor de mineração

Jornal GGN - Parceria entre a Faculdade de Física da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e a Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig) impulsiona tecnologias no setor de mineração e nanotecnologias. O programa de colaboração foi destaque no fórum Brasilianas “Polos Tecnológicos em Minas Gerais”, realizado em Santa Rita do Sapucaí (MG), na última terça-feira (06), em parceria com a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) e o apoio do Instituto Nacional de Telecomunicações (Inatel).
Segundo Valdirene Peressinotto, coordenadora de Projetos de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Codemig (Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais) a parceria é baseada em três eixos considerados como os principais da alta tecnologia em Minas Gerais: indústria criativa; mineração; e energia e infraestrutura.
O programa também recebe incentivos do governo do Estado com destaque para a produção de grafeno e a exploração do nióbio, extraído pela Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM), em Araxá, de onde são destinados 25% do lucro líquido para a Codemig aplicar em novas áreas e para aumentar o valor agregado sobre os produtos extraídos em Minas.
O nióbio é um metal leve e, ao mesmo tempo poderoso, utilizado para produzir ligas ferrosas. Com apenas 100 gramas de nióbio para cada tonelada de ferro é possível criar uma liga altamente resistente utilizada em tubos de gasodutos e até motores de aeroplanos e propulsão de foguetes. O metal também é usado para construção de supercondutores, na indústria nuclear e na eletrônica. O Brasil detém mais de 90% das reservas no mundo e a mesma percentagem de comercialização mundial.
Já, a produção do grafeno acontece a partir da transformação do grafite bruto, extraído da região Norte de Minas e ao Sul da Bahia. É um material 100 vezes mais forte do que o aço e também um dos elementos com melhor capacidade de condução já conhecidos pela humanidade, utilizado especialmente na indústria de eletroeletrônicos. Valdirene destaque que com a transformação do grafite para grafeno, o preço salta de US$ 1,2 o quilo para US$ 150 a grama.
“Essas têm sido as prioridades da Codemig e do governo de Minas Gerais, nos últimos anos”, ou seja, aumentar o valor agregado no setor de mineração, explica a pesquisadora.
Lítio, bioquerosene e nanotecnologia
Depois das terras raras (outro nome comercial do nióbio) e do grafeno, desenvolvidos pelos professores de física da Universidade mineira, outra aposta da parceria UFMG-Codemig são as baterias de lítio-enxofre. Desse acordo surgiu a Companhia Brasileira de Lítio, com 33% de participação a Codemig, na indústria de graxos.
“Em plena era dos carros elétricos é preciso avançar”, completa Valdirene, pontuando a necessidade deinverter a lógica de década passadas e, ao invés de exportar matéria prima e importar o produto acabado, passar a exportar o produto com o valor adicionado em tecnologia e preço.
A pesquisadora destacou, ainda, o projeto de produção e melhoramento de bioquerosene para atender a aviação, desenvolvidos por grupos de professores e estudantes da UFMG.
No setor de nanotecnologia (ciência dedicada ao estudo de materiais em escala atômica e molecular) a parceria recebeu impulsos da Embrapii (Associacāo Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial), criada no governo Dilma, com o foco nanoinstrumentação.
Dentre os protótipos funcionais que saíram dessa iniciativa, estão os biosensores para análise de carne bovina para colocar no mercado, onde Brasil ainda se destaca no mercado internacional.
Assim como aconteceu com o nióbio, um produto praticamente desconhecido há 50 anos e de grande aplicação no mundo tecnológico de hoje, o grafeno e outras riquezas da natureza passam agora pela fase de consolidação do mercado. E se nenhum tsunami de decisões governamentais equivocadas ocorrer, o Brasil tem tudo para ganhar espaço no mercado internacional como produtos de maior valor agregado.
Fonte: Jornal GGN