Mercado aposta em Bolsonaro

A pesquisa do Ibope, divulgada na noite de segunda-feira, e que pôs o candidato do PSL, Jair Bolsonaro, com 31% da preferência dos eleitorado, dez pontos à frente de Fernando Haddad (PT), foi recebida com euforia ontem no mercado financeiro, que viu crescerem as chances no 2º turno do candidato favorável à privatização e outras bandeiras liberais. Desde a abertura dos negócios, o dólar operou em forte baixa no mercado de balcão, fechando em queda de 2,47% a R$ 3,9304 a menor cotação desde 17 de agosto (R$ 3,9147) e a maior queda diária desde 8 de junho.

Já o Índice Bovespa, que chegou a subir 3,97% (81.778 pontos), fechou com ligeiro ajuste a 81.612,28 pontos (+3,80%), na maior alta desde novembro de 2016. O giro financeiro chegou a R$ 16,53 bilhões e foi liderado pela forte valorização das empresas estatais. A maior alta do pregão eletrônico foi das ações ON da Eletrobras, cuja privatização adiada no governo Temer, seria suspensa numa gestão do PT ou de Ciro Gomes, com valorização de 11,45% a R$ 16,55. As ações PNB da estatal subiram 9,95% para R$ 19,55. Banco do Brasil ON teve s 2ª maior valorização do dia, 11,41%, fechando a R$ 31,43%. Petrobras PN subiu 8,67%, fechando a R$ 22,82.

A euforia tomou conta de todo o mercado e pode se repetir hoje, após a confirmação do quadro pelo Datafolha. Papéis privados também tiveram forte valorização. Das 65 ações do Ibovespa só três caíram: duas exportadoras (devido à queda do dólar) e a AmBev ON -1,1% a R$ 18,22. Ações de bancos pegaram carona na valorização do BB. Bradesco ON subiu 5,88, a R$ 30,00, Itaú Unibanco PN avançou 3,85% e Santander Brasil valorizou 7,44%. Cielo teve ganho de 5,35% no dia e a Itaúsa, uma das holdings que controlam o Itaú valorizou 4,1%. Já a Vale, empresa de maior valor no mercado brasileiro, cujos negócios dependem muito das cotações internacionais do minério de ferro subiu apenas 1,32% a R$ 61,20.

Debate no Legislativo
Ao participar, ontem em São Paulo, de painel que discutiu a lei das estatais, a secretária-executiva do Ministério da Fazenda, Ana Paula Vescovi, defendeu que o debate sobre a privatização de empresas públicas se dê no âmbito do Legislativo. “Esse debate não pertence aos conselhos de administração, aos gestores ou ao governo. Pertence à sociedade por meio do Congresso”, comentou durante o evento, promovido pelo Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC).
Ana Paula acrescentou que o foco do governo tem sido em entregar uma gestão de excelência após assumir o comando dessas empresas em meio a um quadro de “deterioração dramática” de ativos que pertencem à população brasileira. Segundo ela, as estatais sofreram um processo de privatização às avessas ao terem sua condução e gestão assumidas por certos grupos.