Meio ambiente: candidatos ao governo falam sobre fiscalização do pó preto

O meio ambiente é um dos assuntos mais discutidos no Espírito Santo, devido a emissão do pó preto pela Vale, considerada a principal poluente do estado. A empresa promete reduzir esses efeitos em até 93%, nos próximos cinco anos, período que vai abranger o novo mandato do governador estadual, a ser eleito no dia 7 de outubro.

Segurança pública: candidatos ao governo defendem valorização das policias

Esse foi o questionamento da semana, feito pela reportagem do ESHOJE, aos principais candidatos ao governo: como eles pretendem fiscalizar a redução do pó preto?

André Moreira (PSOL)

O candidato afirma que o Espírito Santo tem um modelo industrial, baseado em empresas que possuem tecnologias atrasadas, e fazem indústria de commodities, que são geralmente de baixo valor agregado. É a pelotização do ferro, o minério de ferro líquido, as placas e a celulose.

“Essa venda dos commodities têm um problema: são extremamente poluidoras, pagam pouquíssimo imposto comparada com o lucro que têm, e ainda têm isenções fiscais decorrentes do Fundap, que quando elas compram maquinário para os seus pátios industriais, conseguem descontar esse ICMS, daquele que devem pelas vendas feitas dentro do mercado nacional. Quase não pagam imposto, comparado com o lucro, que é muito grande, e geram muita poluição, muitos problemas sociais no entorno delas e gastos na área da saúde. O ES é recordista em problemas respiratórios, por exemplo. Nas empresas da área agrícola, você tem o uso de áreas que deveriam ser usadas para produção de alimentação, usadas para produzir esses commodities. O problema é o mesmo: pagam mal, criam problemas sociais e de poluição. Sabemos que temos problemas de crise hídrica no Norte muito marcada pelo uso da água para as plantas da Aracruz Celulose. Inclusive ,desviaram água do Rio Doce para continuar abastecendo a Fibria”.

Renato Casagrande (PSB)

O candidato respondeu que a fiscalização será realizada pelo Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema), que já faz medições da quantidade de partículas emitidas no ar da Grande Vitória, seja por empresas do setor da mineração, veículos automotores, construção civil, dentre outros.

“Como sabemos, um Termo de Compromisso Ambiental (TAC) deverá ser assinado pela empresa ainda este ano, provavelmente em setembro. Vamos fiscalizar o cumprimento, em parceria com o Ministério Público. Além disso, conforme prevê nosso plano de governo, vamos fomentar e exigir ações para melhora de indicadores da qualidade do ar, principalmente na região metropolitana. Também implementaremos programas de mitigação às emissões de gases de efeito estufa (industrial, geração de energia, agricultura e pecuária) e adaptação aos impactos das mudanças climáticas”.

Rose de Freitas (Podemos)

A candidata pelo Podemos destacou que o governo tem de estar presente na apresentação do cronograma pela Vale para redução do pó preto, fiscalizando e acompanhando, inclusive, junto com a população.

“Estaremos atentos a todo esse processo. Mas a questão ambiental é ainda mais ampla, e entendemos a necessidade de reflorestar as áreas desertas, recuperar as nascentes, despoluir nossos rios, tratar de resíduos sólidos e do esgoto sanitário. Temos de ficar atentos aos problemas ambientais em todo o Espírito Santo. Como parlamentar, por exemplo, nós conseguimos recursos para São José do Calçado para a instalação de um Sistema de Esgotamento Sanitário completo. 100% do esgoto da cidade estará tratado quando a obra terminar. Também com nosso recurso, Laranja da Terra foi a primeira cidade do Espírito Santo a ter o esgoto 100% tratado. Sem todos esses cuidados, as pessoas adoecem. Cuidar do meio ambiente significa cuidar da saúde da população”.

Aridelmo Teixeira (PTB)

Quando questionado sobre meio ambiente, Aridelmo respondeu que pretende implementar o chamado “Plano Estratégico de Qualidade do Ar”, com prioridade de estudos para a redução do pó preto na Região Metropolitana da Grande Vitória. “É preciso atuar para minimizar os problemas causados por esta poluição, no sentido de não permitir que isso continue acontecendo”.

Carlos Manato (PSL)

“Vamos conversar com a Vale sobre dois assuntos emergenciais: a questão do pó preto, que é prejudicial à saúde e causa muitos incômodos à população. Creio que cinco anos é um prazo muito dilatado. Isso tem que ser visto de forma rápida. A segunda questão é sobre a ferrovia e rodovia litorânea. A Vale precisa colocar essas obras em seu cronograma de execuções o mais rápido possível”.

Jackeline Rocha (PT)

A candidata pelo Partido dos Trabalhadores destacou que o plano de governo do partido é voltado não só para o meio ambiente, mas para a causa dos impactos ambientais. A lama da barragem de Mariana, que atingiu o Rio Doce, no Espírito Santo, foi um ponto destacado por ela:

“Os municípios atingidos pela lama de Mariana, em Colatina, não conseguiram se recuperar de 2015 para cá. Afetou lavouras. Eles irrigam um pé de café com água barrenta, a lama gruda na folha, o município é quente, e acaba secando. Esse impacto é sentido até hoje. O estado não tem um plano de meio ambiente que atenda a Grande Vitória. Quando se fala de pó preto, parece que é só aqui, mas existem outros municípios no entorno: Anchieta, Linhares, Regência e Baixo Guandu, com impactos causados por grupos semelhantes, que precisam apresentar uma solução emergencial, junto aos movimentos sociais. Acredito muito que isso possa ser feito. Quando falamos, por exemplo, das isenções fiscais, tem a ver com grandes empresas como essa, que são isentas em algumas áreas para fazer responsabilidade social. É algo que acaba destoando”.

Fonte: ES Hoje