Aço atinge maior preço em 6 anos com restrição de capacidade chinesa

A decisão do governo chinês de reduzir pelo segundo ano consecutivo uma parte da capacidade de produção do aço no país tem garantido que os preços do metal — e da maior parte do complexo de ferrosos — se mantenha firme nos últimos dias.

Hoje, os contratos futuros da bobina a quente com vencimento em outubro, os mais negociados, fecharam em alta de 1,6% na Bolsa de Futuros de Xangai, a 4.273 yuans (US$ 620) por tonelada, enquanto o vergalhão do mesmo mês teve alta de 2,7%, para 4.345 yuans. No melhor momento do dia, os preços atingiram o maior patamar em seis anos.

“Esse é um mercado que continua a divergir consideravelmente dos metais não ferrosos”, comenta Edward Meir, analista da consultoria INTL FCStone. “Os cortes de produção, aliados à demanda local ainda forte, continuam a impulsionar o desempenho.” No fim de 2017, as autoridades da China já haviam ordenado que siderúrgicas especialmente das províncias do Norte segurassem o uso de sua capacidade pela metade. Agora, o governo planeja aumentar o escopo regional, o que pode reduzir ainda mais o excesso de oferta e ajudar valorizar o aço.

“Ao mesmo tempo, matérias-primas da siderurgia como minério de ferro e carvão metalúrgico disparam, provavelmente refletindo expectativas da pré-produção, antes da temporada dos cortes”, comenta Carsten Menke, do banco suíço Julius Baer. “Estamos convencidos de que o governo chinês manterá a oferta suficiente para a construção de infraestrutura, essencial para a economia local.”

Hoje, por outro lado, o minério de ferro à vista recuou 0,3% no porto de Qingdao, segundo a “Metal Bulletin”, para US$ 68,51 a tonelada. Os investidores do mercado financeiro, contudo, seguiram otimistas. Na Bolsa de Commodities de Dalian, os contratos futuros de janeiro avançaram 1%, para 517 yuans.

O Bank of America Merrill Lynch (BofA) acredita que a diferença de performance entre as diferentes commodities minerais faz sentido no contexto das restrições de capacidade. O banco acredita que a valorização tem espaço para continuar. “Como a disputa comercial entre Estados Unidos e China não deve se resolver imediatamente, a dinâmica atual sugere que essas commodities seguem como opção defensiva.”

Fonte: Valor