Salários e atividade em região produtora de minério de ferro crescem na Austrália

Novos investimentos de algumas das maiores mineradoras de minério de ferro do mundo estão deixando mais apertado o mercado de trabalho e de serviços de apoio na principal região de mineração da Austrália, gerando otimismo após anos de desânimo. Investimentos de gigantes como BHP Rio Tinto e Fortescue impulsionaram a confiança da indústria, atraindo mão-de-obra e equipamentos desde escavadeiras até sondas de perfuração, segundo executivos em convenção de mineração na cidade de Kalgoorlie.

“Neste ano, o sentimento é bem otimista. Se Kalgoorlie está indo bem, então o resto da indústria está indo bem”, disse o presidente-executivo da fornecedora de serviços do setor Ausdrill , Andrew Broad, nos bastidores da conferência. A demanda por trabalhadores no setor de mineração está no melhor nível em quase cinco anos, segundo Broad. A Ausdrill tem 5 mil contratados registrados atualmente em todo o mundo.

A terceira maior mineradora de minério de ferro do mundo, Fortescue, que aprovou nova mina de 1,3 bilhão de dólares em maio, também está impulsionando suas atividades de exploração, incluindo de lítio. Ela está focada em reduzir custos para compensar sinais de inflação que começam a aparecer, disse a jornalistas a presidente da companhia, Elizabeth Gaines. ”Em geral, há fatores externos, como câmbio e combustível, e nós estamos vendo alguma inflação em Pilbara (região da
Austrália Ocidental) também”, disse ela.

Os salários para trabalhadores de semi-especializados, como mecânicos de máquinas a diesel, estão agora em torno de 140 mil a 150 mil dólares australianos, contra 120 mil há um ano, enquanto bons engenheiros de minas não têm sido encontrados “nem por amor e nem por dinheiro”, segundo um head hunter. A indústria de mineração está competindo por trabalhadores semi-especializados com um “boom” de construção na costa leste da Austrália e na Nova Zelândia, enquanto muitos dos trabalhadores mais qualificados atraídos para o setor durante anos de alta na mineração deixaram a indústria após sua derrocada.

Um executivo de uma empresa de equipamentos disse que os prazos para se obter uma máquina de escavação duplicaram para um ano, de seis meses durante o “crash” de 2016, embora ainda estejam bem abaixo dos níveis vistos no “boom” do setor, há mais de dois anos. ”Nenhuma commodity está guiando esse movimento, mas você tem um pouco de atividade em cada mineral e cumulativamente isso trouxe a indústria de volta a uma cadência normal”, disse ele.

Fonte: Reuters