Governo concede licença ambiental para reconstruir Bento Rodrigues, em Mariana

Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) de Minas Gerais concedeu licença ambiental para reconstruir Bento Rodrigues, o distrito de Mariana destruído pelo rompimento da barragem de Fundão, que pertence à mineradora Samarco. A informação foi divulgada nesta quinta-feira (5).

De acordo com a secretaria, a partir de agora, a Fundação Renova pode começar o reassentamento do novo distrito. A área licenciada é conhecida como Lavoura e tem 100 hectares.

Em novembro de 2015, um volume de 43,7 milhões de m³ de lama vazaram da barragem, na Região Central de Minas Gerais. O desastre deixou 19 mortos. Segundo a Renova, ao todo, 207 construções foram atingidas em Bento Rodrigues e 225 famílias perderam suas moradias.

A autorização dada pela Semad inclui três tipos de licença, denominadas prévia, de instalação e operação. Conforme o governo, em cada etapa podem ser acrescentadas condicionantes com ações de compensação ambiental pela Renova.

Procurada pelo G1, a fundação ainda não confirmou se a entidade teve acesso aos documentos. Segundo a Renova, o pedido foi protocolado no dia 23 de maio e considera que o reassentamento vai ocupar 98 hectares.

“Para a aprovação do projeto urbanístico e emissão da anuência prévia quanto ao parcelamento do solo, o projeto de engenharia está em análise pela Secretaria de Estado de Cidades e de Integração Regional (Secir). O início das obras de infraestrutura do novo distrito, como pavimentação, drenagem, redes de esgoto, distribuição de água e de energia agora depende da anuência da Secir e da emissão do alvará de construção pela Prefeitura de Mariana”, disse a entidade em nota.

A fundação foi criada mediante acordo entre União, estados e a mineradora Samarco – controlada pela Vale e pela BHP Billiton – para reparar os danos do rompimento da barragem.

De acordo com a entidade, as primeiras casas devem ficar prontas no ano que vem. A BHP emitiu nota dizendo que recebeu a notícia com satisfação e que continuará apoiando o trabalho da fundação nas obras e no reassentamento dos moradores.

Milhões de m³ de lama de rejeito vazaram da Barragem de Fundão em Mariana (Foto: Reprodução/GloboNews)Milhões de m³ de lama de rejeito vazaram da Barragem de Fundão em Mariana (Foto: Reprodução/GloboNews)

Milhões de m³ de lama de rejeito vazaram da Barragem de Fundão em Mariana (Foto: Reprodução/GloboNews)

 

Quase um ‘Pão de Açúcar’

 

Em novembro de 2015, 43,7 milhões de m³ de lama vazaram da barragem de Fundão, pertencente à mineradora Samarco, em Mariana, na Região Central de Minas Gerais. O volume equivale a quase um “Pão de Açúcar”, cartão-postal do Rio de Janeiro. A comparação foi feita pelo presidente da Fundação Renova, Roberto Waack.

Segundo a Fundação Renova, a barragem de Fundão abrigava cerca de 56,6 milhões de m³ de lama de rejeito. Desse total, 43,7 milhões m³ vazaram. Uma parte – 4,5 milhões de m³ – ficou retida na área da Samarco. Os outros 39,2 milhões de m³ mataram 19 pessoas, atingiram os afluentes e o próprio Rio Doce, destruíram distritos e deixaram milhares de moradores da região sem água e sem trabalho.

Fonte: G1