PF faz operação que apura pagamento de propina para servidores da ANM no Amapá

Dois mandados de busca e apreensão estão sendo cumpridos no Amapá, na manhã desta quinta-feira (12). A ação faz parte da operação “Fast Food”, da Polícia Federal (PF), que apura o pagamento de propina à Agência Nacional de Mineração (ANM). Os mandados são desdobramentos da operação Estrada Real, realizada em setembro de 2017.

De acordo com a PF, servidores da ANM, antigo Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), e empresários se encontravam em restaurantes em horários incomuns e com reuniões muito rápidas. Os encontros, segundo a investigação, seria possivelmente para tratar de “assuntos escusos”.

Os mandados estão sendo cumpridos em Macapá e Santana, em ação conjunta da PF com o Ministério Público Federal (MPF). As instituições apontam que há indícios de pagamento de vantagens ilícitas para servidores facilitarem trâmites na ANM, responsável por emitir licenças na área da mineração.

A PF afirma ainda que também há indícios de que havia intermediários entre empresários e servidores na distribuição da propina. Se comprovadas as práticas, os envolvidos podem responder pelos crimes de corrupção ativa, corrupção passiva e organização criminosa.

Sem prisões durante a operação, a PF informou que não vai conceder entrevista sobre a ação.

 Estrada Real

A primeira fase da operação buscou desarticular as atividades de extração ilegal de ouro em um garimpo localizado no município de Tartarugalzinho, a 230 quilômetros de Macapá. A região fica próxima à rodovia BR-156. Um mandado de busca e apreensão foi cumprido e foi preso Altamir Rezende, conhecido como “Mineiro”, responsável pela área e empresário que fornecia alimentação e hospedagem para manter o garimpo, segundo a PF.

No dia 7 de fevereiro, a polícia fez a segunda fase dessa operação, com buscas na casa da família do ex-deputado estadual e do ex-secretário de Transportes do governo do Amapá, Bruno Mineiro, filho do empresário preso. Operação da Polícia Federal desarticula garimpo ilegal em Tartarugalzinho, no Amapá

O garimpo funcionava ilegalmente há vários meses, segundo a polícia, que fez a apreensão de máquinas e veículos de grande porte no local. A investigação aponta que a região era de uma empresa que tinha autorização do Governo Federal para pesquisa mineral, mas que foi invadida pelos garimpeiros e o responsável do garimpo cobrava cerca de 30% do ouro extraído.

Garimpeiros que atuavam na área fizeram protestos na BR-156, na entrada do município, pedindo a reabertura do local, que tem aproximadamente 70 hectares. Se confirmadas as investigações, os responsáveis devem responder pelos crimes de usurpação de bem da União, extração ilegal de minério, associação criminosa, além de lavagem de dinheiro.

Fonte: G1