Secretário de Mineração pede demissão e engrossa debandada no Ministério de Minas e Energia

O secretário de Geologia e Mineração do Ministério de Minas e Energia, Vicente Lôbo, pediu demissão do cargo. A saída dele engrossa a lista de técnicos que decidiram deixar o governo após a nomeação de Moreira Franco na pasta. Na semana passada, nomes ligados ao setor elétrico entregaram os cargos junto com o ex-ministro Fernando Coelho Filho (DEM), que deixou o ministério para disputar as eleições por Pernambuco.

Respeitado no setor, Lôbo estava no ministério desde junho de 2016. Ele foi diretor industrial de unidades da Vale Fertilizantes de 2010 a 2015 e, anteriormente, trabalhou na Bunge.

No ministério, o secretário foi um dos responsáveis pelo pacote de estímulo à mineração. As medidas incluíram a criação de uma agência reguladora (a Agência Nacional de Mineração) para substituir o Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), aumento nos royalties e mudanças no marco regulatório do setor.

Desde que Moreira foi confirmado no cargo, técnicos do ministério decidiram deixar o governo. O secretário-executivo, Paulo Pedrosa, renunciou na semana passada, e o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Luiz Augusto Barroso, na segunda-feira. Junto a eles, saem assessores que integravam suas equipes — tidas como referências por executivos e analistas do setor. O presidente da Eletrobras, Wilson Ferreira Júnior, foi confirmado no cargo.

Em uma tentativa de acalmar os investidores e sinalizar continuidade na política do ministério, Moreira decidiu promover o engenheiro Márcio Félix ao cargo de secretário-executivo, número dois e posto-chave na pasta. Antes secretário de Petróleo e Gás, ele foi o articulador da retomada dos leilões do setor e disse que a prioridade do ministério será a privatização da Eletrobras.

Fonte: O GLOBO