Hydro Norsk apresenta relatórios para refutar laudo que apontou contaminação em rios do Pará

A mineradora norueguesa Hydro Norsk, principal controladora da refinaria Alunorte, no Pará, apresentou, nesta segunda-feira, dois relatórios que rejeitam a acusação de contaminação nos rios do estado. Segundo a multinacional, os relatórios apontam que não houve transbordo nas áreas de depósito de bauxita ou contaminação de água nas comunidades do entorno da Alunorte, no município Barcarena, no nordeste do Pará. Os dois documentos contrapõem laudos do do Instituto Evandro Chagas, que indicaram a presença de substâncias contaminadas no rio Pará e seus afluentes.

Os relatórios apresentados pela Hydro foram preparados por uma equipe interna e pela consultoria externa SGW Services. Nesta segunda-feira, o CEO da mineradora, Svein Richard Brandtzaeg, disse que “os relatórios confirmam nossas declarações anteriores de que não houve transbordo das áreas dos depósitos de resíduos de bauxita”.

A suposta contaminação das águas teria ocorrido em fevereiro, após forte chuva na região de Barcarena. Moradores do local registraram imagens da água turva do rio que passa pelo município. Na ocasião, o Instituto Evandro Chagas apontou que houve vazamento de bauxita nas instalações da Hydro Alunorte em três comunidades de Bacarena. No fim de março, o instituto voltou a apontar a contaminação do rio Pará com metais tóxicos.

Após o primeiro laudo do instituto, o Ministério Público estadual e o Ministério Público Federal iniciaram investigações e solicitaram novos estudos. O Ibama aplicou uma multa de R$ 20 milhões à Hydro, sendo R$10 milhões por “realizar atividade potencialmente poluidora sem licença válida da autoridade ambiental competente” e R$10 milhões por “operar tubulação de drenagem também se licença”.

Apesar de ter negado o vazamento na época, Hydro admitiu, em nota, que utilizou duto clandestino para lançar rejeitos no Rio Pará. Nesta segunda-feira, a empresa disse estar realizando investimentos no valor de R$ 300 milhões na Alunorte e região. Desse montante, R$ 200 milhões serão aplicados no sistema de tratamento de água da refinaria para aumentar a capacidade em 50% e a capacidade de armazenamento em 150%.

Outros R$ 100 milhões seriam postos para ações sociais nas comunidades por meio da Iniciativa Barcarena Sustentável, que segundo a empresa será uma entidade autônoma, financiada pela Alunorte. O objetivo é de criar “uma plataforma pública para acompanhamento e avaliação de dados, desenvolver projetos sociais e ambientais”.

Entre outras medidas anunciadas pela empresa, estão um projeto “para revisar e avaliar reforços do sistema de tratamento de água da Alunorte como uma resposta proativa para suportar condições de tempo e clima ainda mais extremas no futuro” e a atualização dos “procedimentos de emergência, incluindo a revisão das práticas de comunicação com as comunidades locais durante e após emergências”.

O Instituto Evandro Chagas emitiu nota, respondendo ao relatório da Hydro Norsk, que contestava o seus dados originais. Nela, diz que “os relatórios técnicos (RT’s) divulgados pelo IEC buscam sintetizar os resultados encontrados na análise das amostras. No entanto, esses documentos não contém à exaustão todas as informações que se encontram nos Relatórios de Análises (RA’s) gerados para cada amostra. Nos RT’s são apresentados apenas dados essenciais para garantir a qualidade dos resultados”.

O Instituto também criticou a Hydro Norsk e os relatórios contratados por ela, que “até agora não demonstram que os dados do IEC estão equivocados”, e estariam “incompletos”. Por último, conclui na nota que ” hoje nenhuma empresa conseguirá fazer as análises dos impactos ocorridos nos dias 17 e 18 de fevereiro de 2018 nas águas de Barcarena porque a dinâmica hidrográfica e pluvial na região é intensa e o cenário está em constante modificação”.

Fonte: O Globo