Produção brasileira terá impacto dos acidentes da Anglo American e Hydro

O vazamento do mineroduto do sistema Minas-Rio, da Anglo American, e a suposta contaminação de igarapés e rios em Barcarena (PA) pela Hydro Alunorte trarão impactos à produção brasileira e danos à imagem do setor no País.

Segundo o diretor da Associação Brasileira das Empresas de Pesquisa Mineral (ABPM), Luiz Vessani, a paralisação na produção da Anglo American irá impactar negativamente o setor, mas trata-se de um caso no qual é necessário fazer um diagnóstico mais completo. “É preciso reconhecer a dimensão do problema. A Anglo não pode arriscar retomar a produção e sofrer um novo acidente”, explica o especialista.

A mineradora registrou, em março, dois vazamentos no mineroduto que liga Minas Gerais ao litoral do Rio de Janeiro, com mais de 300 toneladas de produto atingindo o córrego Ribeirão Santo Antônio da Grama. Com isso, a produção no sistema Minas-Rio está paralisada desde o dia 29 de março e a expectativa é que essa situação permaneça por ao menos 90 dias, durante a realização dos testes de segurança necessários. “A empresa havia planejado produção entre 13 milhões de toneladas e 15 milhões de toneladas de minério de ferro para 2018. Em razão da parada, está refazendo o planejamento de suas atividades”, apontou a Anglo American em resposta a questionamento do DCI.

Para o sócio da J. Mendo Consultoria, José Mendo, o vazamento da Anglo American é ruim para a imagem da mineração no Brasil, mas a empresa tomou todas as precauções para que as consequências não sejam graves e está agindo da melhor forma possível diante da situação. “A empresa chamou as autoridades e, ao verificar uma segunda ocorrência, paralisou tudo, mostrando uma responsabilidade social bastante robusta”, diz.

Mendo acredita que o acidente da Anglo American seja diferente do que houve com a Samarco em novembro de 2015, quando uma barragem se rompeu e uma enxurrada de lama destruiu o distrito de Bento Rodrigues em Mariana (MG), além de cobrir o Rio Doce. “O caso da Samarco é noticiado até hoje, porque envolveu a morte de muitas pessoas, embora tenha tido resultados interessantes, como a criação da Fundação Renova. O que aconteceu com a Anglo American teve impacto muito menor, já que houve um vazamento de minério de ferro e não de rejeitos”, destaca.

A Samarco está desde 2015 paralisada, o que, de acordo com estudo da Tendências Consultoria encomendado pela BHP Billiton, trouxe uma redução de mais de 37 mil empregos no País.

Vessani, por sua vez, entende que o impacto dos acidentes da Anglo American e da Hydro no setor será limitado, uma vez que há movimentos mais importantes no cenário macroeconômico e geopolítico. “A posição fiscal do [presidente norte-americano, Donald] Trump, impondo taxações a metais, está provocando um movimento que conturba as análises. Está se sinalizando uma criação de guerra comercial com a China, o que é bom para o Brasil do lado agrícola e também pode favorecer o minério, mas o raciocínio não é tão linear assim”, comenta.

Alumina

O caso da Hydro possui menos clareza que o da Anglo American. A norueguesa negou em coletiva de imprensa ontem que tenha havido qualquer tipo de contaminação, criticando os laudos apresentados pelo instituto Evandro Chagas. Apesar disso, a Hydro cumpre decisão do Tribunal de Justiça do Pará (TJ-PA), que ordenou que a companhia reduza sua produção pela metade e suspenda as operações do depósito de resíduos de bauxita.

Um total de 400 empregados de Paragominas (PA) entraram em férias coletivas com duração de 15 dias, a partir de 2 de abril. A empresa diz que não considera realizar demissões e está se dedicando para retomar 100% da produção.

Fonte: DCI