Mineradora investe US$ 2,4 mi em programa de startups para inovar no setor

A Nexa Resources, mineradora de cobre e zinco pertencente ao Grupo Votorantim, está finalizando as inscrições de seu segundo programa de fomento às startups, o Mining Lab 2, que conta com um investimento de US$ 2,4 milhões sem exigência de contrapartida societária nas startups. A iniciativa faz parte da estratégia de inovação da empresa, que busca parceiros em tecnologias de Internet das Coisas (IoT), blockchain, automação e sustentabilidade, e conta com o apoio da aceleradora Techmall.

O objetivo da empresa é alcançar o que Rodrigo Gomes, gerente de Inovação e Tecnologia da Nexa, chama de “mineração do futuro”, a transformação digital do setor. “A TI tem papel crucial na evolução da mineração”, diz. Segundo ele, a companhia preza pelo desenvolvimento através de parcerias, seja com startups ou com a academia.

No Mining Lab 2, a Nexa decidiu estipular categorias para selecionar as startups inscritas. São cinco no total: automação; IoT; logística; economia circular (tecnologias para reuso de água, por exemplo); e concentração mineral (como a reutilização do rejeito para retirar mais mineral). “A TI está em todas essas áreas e a nossa intenção é desenvolver projetos de uberização na logística, big data e robotização dentro da mina”, explica.

De acordo com ele, o programa será faseado. A fase de inscrições  termina no próximo dia 18 e podem ser feitas por qualquer startup com projetos nas áreas procuradas, seja ela do Brasil, Peru, Chile, Estados Unidos ou Canadá. A expectativa é selecionar até 36 projetos entre abril e maio, que serão apresentadas à proposta da Nexa e poderão tirar dúvidas com representantes da empresa.

Em julho, 24 dessas empresas participarão de uma imersão na rotina da Nexa durante uma semana, apresentando a solução ao final do período. A partir daí, 12 startups passarão e vão trabalhar em conjunto com a mineradora para desenvolver o projeto durante um ano, a parte do projeto que contará com o investimento de US$ 2,4 milhões já mencionado.

“Ao fim do desenvolvimento, avaliaremos caso a caso o fechamento do negócio e o modelo de contrato”, explica. “As outras 12 empresas que não chegaram a etapa final serão apresentadas as outras empresas do Grupo Votorantim, que poderão aproveitar alguma solução”, explica Gomes.

No primeiro Mining Lab, que prezava por projetos de nanotecnologia e energia renovável, cinco startups se tornaram parceiras. Uma delas consegue capturar elementos químicos de dentro da água utilizada na produção e viabilizar seu reuso dentro da cadeia produtiva. Outro projeto desenvolveu biodiesel, utilizados pelos equipamentos, a partir de óleo de cozinha utilizado pela população próxima às mineradoras, localizadas no interior de Minas Gerais.

Para Gomes, este é o caminho para a mineração do futuro. “Inovação aberta é somar conhecimentos, o que torna possível a transformação digital, a qual já estamos no caminho”, diz. “Nossa mina em Paracatu, por exemplo, não gera nenhum resíduo, sendo este totalmente reutilizado na indústria de agricultura, para reestruturar terrenos. A mineração do futuro é aliar a sustentabilidade à produtividade”, completa.

Fonte: IPNews