Ministro admite preocupação com mina de urânio

O ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes, admitiu na Assembleia da República que o acordo entre Portugal e Espanha tem funcionado de forma “deficiente”, referindo-se à falta de informação prestada por Espanha a Portugal sobre os impactos da mina de urânio que a empresa australiana Berkeley pretende implantar na zona de Salamanca, a cerca de 40 quilómetros de Portugal. E garantiu que “tudo fará” para evitar impactos negativos em Portugal.

Em audiência, esta manhã, na Comissão de Ambiente, Ordenamento do Território, Descentralização, Poder Local e Habitação, Matos Fernandes afirmou que o executivo português pediu informações ao governo espanhol sobre a questão, em 2016, e garantiu que vai abordá-la de novo com a sua homóloga espanhola, numa reunião que solicitará para “tão breve quanto possível”.

“O governo português tem uma preocupação grande [com a questão da mina de urânio] e tudo fará para evitar impactos negativos [no território português]“, sublinhou o governante, ressalvando, no entanto, “que não está nas mãos de Portugal construir ou não a mina”.

Para o ministro Matos Fernandes, a situação de Retortillo é diferente da questão que se colocou no ano passado com a construção de um armazém de resíduos radioativos na central de Almaraz, a cem quilómetros da fronteira portuguesa, uma vez que as autoridades espanholas informaram Portugal de que, “para a mina ser licenciada, faltam ainda alguns passos”.

Uma delegação de deputados da comissão de Ambiente deslocou-se na segunda-feira a Retortillo, na região de Salamanca, ao local onde a Berkeley vai instalar a mina de urânio a céu aberto, para se inteirar da situação no terreno.

Um dos deputados que esteve em Retortillo, o socialista Santinho Pacheco, estranhou por isso que o governo espanhol refira que “nenhuma decisão foi tomada”, já que os parlamentares tiveram oportunidade de verificar a existência de uma série de trabalhos no terreno.

Ao anúncio de Matos Fernandes de que a Agência Portuguesa do Ambiente adquiriu uma sonda para instalar no Douro no segundo trimestre, para medição radiológica, o deputado Pedro Soares (BE), presidente da comissão de ambiente, alertou que isso “não resolverá o problema dos impactos ambientais da mina em Portugal”, e defendeu uma oposição enérgica à exploração da mina.

O rio Yeltes, que faz parte da bacia hidrográfica do Douro – é um afluente do rio Huebra, que desagua no Douro a escassos quilómetros de Freixo de Espada à Cinta -, atravessa o perímetro da mina e a sua água será captada para servir ao processo de exploração.

Heloísa Apolónia, de Os Verdes, anunciou na mesma audição que o seu partido vai apresentar na Assembleia da República um projeto de resolução contra a mina de urânio, e que espera ter o apoio das restantes forças partidárias.

Fonte: DN