Em nove anos, o Brasil acumula mega superávit de US$ 78,5 bilhões no comércio com a China

Em nove anos (de 2009 a 2017), o Brasil acumula um superávit de US$ 78,599 bilhões no intercâmbio comercial com a China, o maior saldo registrado pelo país nas trocas comerciais com um único parceiro desde que a série histórica começou a ser divulgada pelo Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), no ano 2000.

Em forte ascensão a partir de 2016, o superávit com os chineses atingiu a cifra mais elevada no ano passado, quando a corrente de comércio entre os dois países foi favorável ao Brasil em US$ 20,167 bilhões. Exceto a Ásia, continente ao qual a China pertence, nenhum outro bloco econômico ou geográfico esteve próximo de proporcionar ao Brasil um saldo tão elevado nas transações comerciais bilaterais.

Apesar do superávit elevado, no governo brasileiro cresce o interesse em negociar com os chineses uma mudança qualitativa na pauta exportadora para o país asiático, atualmente marcada por uma forte concentração nos produtos básicos, de menor valor agregado. Esses itens responderam, em 2017, por 86,3% de um total de US$ 47,488 bilhões exportados para a China. E apenas três itens básicos (soja em grãos, minérios de ferro e petróleo) ficaram com uma expressiva fatia de 80% do total embarcado.

Em entrevista ao jornal Valor Econômico, publicada no dia 26 de dezembro, o embaixador da China, Li Jinzhang abordou o assunto e afirmou que  “nos últimos anos, o comércio bilateral mantém-se em nível alto graças às vantagens complementares dos dois países, o que alavancou o crescimento econômico de ambos os lados. Essa parceria encontra-se em um novo momento histórico, e os dois países estão fazendo esforços para a transformação e modernização desse comércio”.

O embaixador Jinzhang referiu-se especificamente à iniciativa de “Um Cinturão e uma Rota”, lembrando que o projeto também conhecido como “A Nova Rota da Seda” e a cooperação de capacidade produtiva contribuirão para a ampliação e o salto qualitativo das cooperações econômica e comercial entre os dois países.

Segundo o embaixador, “a China está disposta a coordenar sua estratégia de desenvolvimento com a parte brasileira, promover a construção da infraestrutura do Brasil e testar novos modelos como o estabelecimento conjunto de polos industriais e parques de ciência e tecnologia, dando impulso à transformação estrutural da economia brasileira para subir as cadeias de valor e produção”.

Enquanto se aguarda pela consolidação dessa parceria, a soja segue ocupando a liderança da pauta exportadora para a China. Ano passado, as exportações da oleaginosa tiveram forte expansão em termos quantitativos e em receita gerada. As vendas de soja totalizaram US$ 20,3 bilhões, correspondentes a 43% de todo o volume embarcado pelo Brasil para a China. Em segundo lugar apareceram os minérios de ferro, com vendas no total de US$ 10,39 bilhões, equivalentes a 22% dos embarques para os chineses. Graças a uma forte alta de 88% comparativamente com o ano de 2016, o petróleo foi o terceiro item mais vendido para a China, gerando uma receita de US$ 7,35 bilhões, equivalentes a 15% do total exportado.

Do lado chinês, as exportações se limitam quase exclusivamente aos bens industrializados, responsáveis por 97,3% do total embarcado para o Brasil e geradores de uma receita de US$ 26,59 bilhões.

Fonte: Comex do Brasil