Dois anos após tragédia, complexo de mineração em Mariana tenta evitar deterioração

Quem ouve o som de pássaros, mal pode imaginar que estamos no Complexo de Germano, em Mariana. Há dois anos, seria impossível ouvir captar som como esse em uma das estruturas gigantescas da mineradora, por conta do barulho, que chega a ser ensurdecedor. Entrar sem protetor auricular então? Nem pensar. Isso só aconteceu porque as atividades por lá estão paradas. A reportagem da CBN esteve no local, a convite da Samarco. A primeira parada foi no concentrador 3, estrutura mais nova do complexo e que operou por um ano e meio até o desastre. É ele quem faz o beneficiamento do minério. No processo de retorno previsto pela empresa, esse concentrador será o segundo a ser ativado, dando fôlego para a Samarco voltar a operar com 63% de sua capacidade, como explica o diretor de retomada Alexandre Souto:

“A nossa proposta é voltar com a planta de número 2, que responde por cerca de 26% da capacidade produtiva aqui em Minas Gerais. Em sequência viria o concentrador 3, que somado ao 2 dariam cerca de 63% da capacidade e finalmente o concentrador de número 1, chegando a capacidade total de 30,5 milhões de toneladas por ano”.

Com as licenças suspensas desde o rompimento da barragem de Fundão, em 2015, a rotina de quem trabalha no complexo mudou. Agora, o foco é a manutenção dos equipamentos e máquinas para que não estraguem com o tempo. Em um dos setores onde haviam 100 pessoas, trabalhando 24 horas, em turnos, hoje são nove. Todos focados na conservação das estruturas. É o que detalha o gerente de manutenção e minerodutos Vitor Quittes:

“A gente faz lubrificações, a gente gira os equipamentos para evitar processos de corrosão, basicamente isso. Eu não tenho autorização para fazer uma manutenção grande, mas manter os equipamentos é o que foi protocolado com os órgãos ambientais e com o DNPM e a gente consegue fazer essa manutenção do ativo”.

Se a tragédia, em 2015, mudou radicalmente a vida de milhares de famílias e comunidades; o acidente, como a empresa denomina o rompimento da barragem de Fundão, também provocou uma reviravolta no dia a dia da empresa. A reportagem esteve também na área onde estão as máquinas usadas no trabalho de mineração. Antes eram 60 para dar conta de duas minas. Hoje os tratores, esteiras, retroescavadeiras e os chamados “fora de estrada” estão inutilizados.

Para o complexo de Germano voltar a funcionar, a Samarco precisa obter junto à Secretaria de Meio Ambiente de Minas Gerais, uma Licença de Operação Corretiva. Para isso a Samarco precisa mostrar que reforçou as estruturas remanescentes e que elas não apresentam risco e que as novas estruturas que serão incorporadas no processo de retomada estão livres de qualquer risco. A Samarco informou que não há como precisar uma data para o retorno das operações da empresa.

Fonte: CBN