Greenpeace detecta mineração ilegal na Renca

O Greenpeace detectou ao menos 14 minas ilegais e oito pistas de pouso clandestinas na Renca, reserva mineral na Amazônia, que o presidente Michel Temer quer abrir à mineração privada, elevando a preocupação com a falta de controle sobre as atividades, informou a ONG nesta terça-feira.

Uma equipe de investigação do Greenpeace sobrevoou na primeira semana de setembro uma das unidades de conservação da gigantesca Reserva Nacional do Cobre e Associados (Renca), entre os estados de Pará e Amapá, onde teoricamente é proibida a mineração privada, e informou as autoridades estaduais e federais sobre a descoberta.

“Sobrevoamos uma pequena parte da Renca e localizamos todos esses pontos em uma única unidade de conservação. Quantos mais podem existir em toda a região?”, questionou Marcio Astrini, coordenador de Políticas Públicas do Greenpeace Brasil, em um comunicado emitido nesta terça-feira.

“Se o governo brasileiro não tem condições de controlar a ilegalidade atualmente, enquanto a área está sob sua custódia, o que vai acontecer se abrir a Renca para a exploração comercial?”, perguntou.

Temer assinou em 25 de agosto um polêmico decreto que extinguia esta reserva de quase quatro milhões de hectares, rica em ouro, magnésio, ferro e cobre.

O presidente disse que a ideia era controlar e dinamizar a atividade de mineração com a participação da iniciativa privada, como parte de seus planos para retirar o Brasil da pior recessão de sua história.

No entanto, os grupos ambientalistas denunciam que a extinção da Renca acelerará o avanço da mineração privada e o desmatamento das áreas de preservação.

Diante da polêmica, Temer eliminou o decreto inicial e assinou poucos dias depois outro muito parecido, mas com mais detalhes sobre a proteção ambiental.

Em 31 de agosto, o Ministério de Minas e Energia suspendeu os efeitos do decreto por 120 dias, prometendo um debate amplo sobre o tema.

Nessa reserva, delimitada em 1984, há nove áreas protegidas de grande biodiversidade, entre elas dois territórios indígenas das etnias Aparai, Wayana e Wajapi.

Fonte: IstoÉ