Samarco: PF diz que não houve interceptação telefônica irregular

O delegado da Polícia Federal de Minas Gerais Roger Lima de Moura afirmou que não houve interceptação telefônica fora do prazo estipulado pela Justiça nas investigações sobre a Samarco. “Entregamos hoje um ofício à Justiça para demonstrar que não houve irregularidade por parte da PF na condução das investigações”, disse.
A PF convocou uma entrevista coletiva nesta quinta-feira (10) sobre a suspensão, pela Justiça, do processo criminal contra a Samarco e seus diretores pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG), em 2015. A defesa do presidente da Samarco à época do desastre, Ricardo Vescovi, e o ex-número dois da empresa, Kleber Terra, afirmam que foram usadas como prova interceptações telefônicas gravadas fora do prazo autorizado pela Justiça. Eles são réus sob acusação de homicídio com dolo eventual (quando se assume o risco de matar).
Segundo Moura, a interceptação telefônica foi feita em dois períodos de 15 dias, mas com um intervalo entre eles, o que pode ter induzido a defesa a acreditar que o grampo vigorou por mais de 30 dias. A interceptação ocorreu de 23 de dezembro de 2015 a 6 de janeiro de 2016. Houve um pedido de renovação e o novo período de gravação durou de 9 ou 10 de janeiro (dependendo da operadora) a 23 ou 24 de janeiro.
Moura afirmou, ainda, que um dos executivos que questionou o procedimento sequer foi alvo das interceptações. O segundo foi monitorado apenas no segundo período. O delegado não quis identificar os réus.

Fonte: Valor Econômico