Com Trump, minas de carvão renascem nos Estados Unidos

O governo Trump está adentrando um dos mais antigos e disputados debates do Ocidente, ao incentivar novas minas de carvão em terras de propriedade do governo federal –parte de um impulso agressivo para revigorar a problemática indústria do carvão nos EUA e explorar mais amplamente as oportunidades comerciais em terras públicas.

A intervenção perturbou os ambientalistas e muitos democratas, expondo profundas divisões sobre a melhor maneira de administrar os 2,6 milhões de km² de terras de propriedade federal –a maior parte das quais fica no oeste do país–, uma área equivalente a mais de seis vezes a da Califórnia.

Desde a chamada Rebelião Sagebrush, durante o governo Reagan, empresas e indivíduos com interesses econômicos nas terras, entre eles as mineradoras, não tinham uma situação tão dominante sobre o assunto.

Nuvens de poeira sopravam no horizonte em uma tarde de verão enquanto uma máquina mais alta que a Estátua da Liberdade rasgava as paredes de um cânion escavado profundamente em terras públicas na Bacia do Rio Powder, a região carvoeira mais produtiva do país.

A mina sobe até uma represa de água, expondo o tipo de conflitos e preocupações provocados pela nova abordagem.

“Se não tivermos boa água, não poderemos fazer nada”, disse Art Hayes, um pecuarista que teme que mais mineração estrague um suprimento que é utilizado há gerações pelos criadores de gado.

Durante o governo Obama, o Departamento do Interior aproveitou a questão da mudança climática e proibiu temporariamente novas concessões de carvão em terras públicas enquanto examinaria as consequências para o meio ambiente.

O governo Obama também atraiu protestos de grandes companhias mineradoras ao ordenar que elas pagassem royalties mais altos ao governo.

O presidente Donald Trump, além de questionar totalmente a mudança climática, agiu rápido para eliminar aquelas medidas com o apoio das companhias de carvão e outros interesses comerciais.

Em separado, o Departamento do Interior de Trump está traçando planos para reduzir áreas de vida natural e históricas que hoje são protegidas como monumentos nacionais, criando ainda mais oportunidades de lucros.

Richard Reavey, o chefe de relações com o governo da Cloud Peak Energy, que opera uma mina aberta em Montana que envia carvão para o centro-oeste americano e cada vez mais para usinas de energia na Ásia, disse que a mudança de curso de Trump se destina a corrigir erros do passado.

O governo Obama, segundo ele, estava decidido a matar a indústria de carvão e usou as terras federais como arma para reduzir as exportações. As únicas vias atuais de crescimento, diante do fechamento de tantas usinas a carvão nos EUA, são os mercados externos.

“Seu objetivo, em conluio com os ambientalistas, era nos tirar do negócio de exportação”, disse Reavey.

Fonta: Folha de São Paulo