Bilionário do cobalto aposta em fundo voltado a carros elétricos

Após sua aposta vencedora no cobalto neste ano, uma firma de investimentos fundada pelo bilionário russo Vladimir Iorich está criando um fundo de US$ 150 milhões para comprar metais usados em carros elétricos.

O Pala New Energy Metals investirá em cobalto, lítio, vanádio, metais de terra rara, níquel e estanho. A Pala Investments criou o fundo com capital próprio e com dinheirode outros investidores. A empresa já fez grandes compras de cobalto anteriormente, prevendo uma demanda crescente das fabricantes de automóveis, que mais que dobrou os preços nos últimos 12 meses.

“Estivemos concentrados na evolução dos elementos químicos da bateria, e isso nos permitiu investir precocemente em diferentes componentes da bateria”, disse Stephen Gill, sócio-gerente da Pala Investments, que tem sede em Zug, na Suíça, em uma entrevista. “Esperamos continuar à frente da curva em relação à evolução das tecnologias.”

A empresa estava entre as investidoras que compraram cobalto físico e depois o venderam por dinheiro e ações na Cobalt 27 Capital, empresa que abriu seu capital no Canadá neste ano para oferecer aos investidores em ações uma forma de participar do mercado. Em junho, a Pala afirmou que trocou 626 toneladas de cobalto por ações na Cobalt 27, tornando-se sua maior acionista, com 19,5 por cento.

No total, a firma com ações negociadas em Toronto, administrada pelo diretor-geral da Pala, Anthony Milewski, comprou 2.158,6 toneladas de cobalto com dinheiro e ações, ou cerca de 2,5 por cento da demanda global anual. Os preços à vista subiram quase 120 por cento nos últimos 12 meses, para US$ 57.500 a tonelada.

A Pala está apostando que a demanda por metais de base específicos aumentará nos próximos anos com a produção de uma quantidade superior de baterias maiores. A oferta de metais como o cobalto não será “suficiente para atender às necessidades projetadas para a próxima década”, disse Gill.

Tesla e Apple

O cobalto é essencial para as baterias de íon de lítio que alimentam de tudo, dos carros da Tesla aos aparelhos iPhone e iPad da Apple. Heath Jansen, analista de mineração do Citigroup, disse recentemente que o cobalto é um “metal maravilhoso” que está aproveitando a explosão dos carros elétricos. O metal, explorado em lugares como a República Democrática do Congo, é mais eficiente do que os minerais usados na geração anterior de baterias.

A Pala pode investir por meio de dívidas e participações acionárias em projetos de mineração ou comprar e armazenar metal físico para se beneficiar com o aumento dos preços.

Os planos de acumular metais comuns, incluindo um esquema promovido pelo JPMorgan Chase para o cobre em 2012, anteriormente geraram preocupações entre os consumidores de que os preços seriam elevados artificialmente. O mercado de cobalto ficou atolado durante anos em uma oferta excedente após a crise financeira global antes de a demanda por baterias pressionar o mercado.

A Pala está mirando além de seu foco inicial no cobalto, já que a tecnologia das baterias começa amudar para outros metais. No mês passado, a Pala participou de uma transação de dois lotes de dívida de US$ 110 milhões com a Altura Mining, uma empresa negociada em Sidney que está desenvolvendo uma mina de lítio na Austrália Ocidental que deve começar a produzir o metal no próximo ano.

“O cobalto de hoje pode ser o níquel amanhã”, disse Gill.

Fonte: Jornal Floripa