Somincor vai investir 250 milhões em nova exploração de zinco em Neves Corvo

A Lundin Mining, dona da mineira Somincor, anunciou esta segunda-feira, 10 de Abril, um investimento de 250 milhões de euros para duplicar a produção de zinco nas minas de Neves-Corvo, no Alentejo.
De acordo com a empresa canadiana, o projecto de alargamento da exploração deste mineral deve estar pronto em dois anos – em meados de 2019 – para duplicar a produção de concentrado de zinco. A expansão empregará 300 a 350 pessoas na construção e mais de 200 postos de trabalho em laboração. O objectivo, anunciado no final de uma reunião com membros do Governo e autarcas locais, é passar das actuais 1,1 milhões de toneladas de zinco extraídas por ano para 2,5 milhões de toneladas, permitindo à mina operar pelo menos por mais 10 anos e compensando a redução de recursos de cobre na mina ao longo dos últimos anos.

De acordo com o CEO da Lundin Mining, Paul Conibear, ao longo dos últimos anos o teor e os recursos do cobre explorado na mina de Neves-Corvo têm vindo a diminuir significativamente, o que penalizou os lucros da companhia nos últimos dois exercícios.  ”É normal numa actividade mineira, os últimos anos na mina são sempre difíceis,” afirmou. Contudo, se o novo investimento avançar, permitirá à empresa “ficar em Portugal durante muitos mais anos.”

Conibear salientou ainda que a Lundin Mining investiu 800 milhões de euros nos últimos dez anos na “muito rentável” mina de Neves Corvo, pagando 350 milhões de euros em impostos e royalties ao Estado.

Governo não se compromete com datas

No final do encontro com a administração da mina e com autarcas, o secretário de Estado da Energia, disse que cabe ao Governo criar todas as condições para que o investimento aconteça e contribua para aumentar as exportações. Mas salvaguardou que o processo vai a meio.

“Nada está fechado, nada está concretizado, foi uma boa reunião de trabalho, possivelmente terá um bom sucesso, dependente do empenhamento de todos,” afirmou Jorge Seguro Sanches (na foto). O mesmo em relação a potenciais benefícios fiscais a conceder pelo Governo:

“Nada está colocado em cima da mesa quanto a essa questão, o que está agora é o licenciamento, a haver incentivos será no mesmo quadro das restantes empresas,” concretizou.

Entre os elementos que aguardam luz verde do Governo está o estudo de impacte ambiental, que se iniciou no final do ano passado e aguarda aprovação.

“Estamos a trabalhar para que todos os prazos sejam os mais curtos possíveis nos termos da lei para que o país possa aproveitar da melhor maneira esta possibilidade de investimento,” acrescentou.

6.000 milhões de exportações em dez anos

As minas de cobre, zinco e chumbo de Neves-Corvo, localizadas em Castro Verde, distrito de Beja, são um dos maiores exportadores do país. A operar desde 1989, a Somincor – que gere a mina – lucrou 66,7 milhões de euros em 2016 , menos 700 mil euros que em 2015.

A mina de Neves-Corvo é detida a 100% pela Lundin Mining e responde por quase 20% das receitas desta empresa canadiana. No ano passado, aquela unidade produziu cerca de 46,5 mil toneladas de cobre e 69,5 mil toneladas de zinco. A exploração de zinco iniciou-se em 2006.

Desde que está em actividade, a mina já exportou 6.000 milhões de euros em minério, avançou o secretário de Estado da Energia. Em 2014 a empresa tinha anunciado o investimento de 185 milhões de euros para a exploração de um depósito de cobre em Semblana, a 900 metros de profundidade, que permitiria estender a vida útil da mina até 2027 e extrair 200 mil toneladas de cobre.

As minas de Neves-Corvo foram vendidas em 2004 à Eurozinc, que a partir de Outubro de 2006 foi integrada na Lundin Mining. Em Neves-Corvo emprega cerca de 2.000 trabalhadores, entre próprios e contratados a entidades externos. Além da mina de Neves-Corvo, a Lundin Mining tem actividade de exploração nos Estados Unidos, Finlândia, Suécia, Chile e República Democrática do Congo.