Mineradoras vão explorar ouro e diamante no Piauí

Centro Administrativo, no bairro São Pedro, na zona Sul de Teresina, vai funcionar usando exclusivamente energia solar e ganhará mais três novos blocos, informou o governador Wellington Dias (PT), durante entrevista exclusiva ao Jornal Meio Norte. Segundo ele, o Governo do Estado fez uma parceria com uma empresa da Alemanha para implantação do sistema de energia solar, durante sua viagem feita em dezembro para a Europa, para modernizar o Centro Administrativo e ser gerido de forma ecológica usando energia solar e reaproveitando as águas servidas.

Na entrevista, Wellington Dias informou que foram descobertas minas de ouro em Paulistana e novas reservas de diamantes em Gilbués, que serão exploradas em 2016. O governador falou que no próximo ano, grandes empresas da área de mineração irão atuar na exploração de opala, hoje um arranjo produtivo de pequenas empresas, na região do município de Pedro II.

“2016 será o ano de grandes colheitas, do que a gente plantou. No próximo ano, nós vamos fazer importante investimento no Centro Administrativo e a ideia é modernizar o Centro Administrativo. Vamos ampliar pelo menos três blocos novos, é o que está programado, e vamos fazer a modernização dos blocos existentes para que a gente não só tenha melhor condições de trabalho, como também para garantir o aproveitamento de forma ecológica dos recursos naturais. Eu firmei uma parceria na Alemanha para a gente ter algo moderno em todo o Centro Administrativo, que vai ser abastecido por energia solar. A gente vai ter algo no Centro Administrativo muito moderno”, declarou Wellington Dias.

Jornal Meio Norte – Que obras serão inauguradas em 2016?

Wellington Dias – 2016 será o ano de grandes colheitas, do que a gente plantou. No próximo ano, nós vamos fazer importante investimento no Centro Administrativo e a ideia é modernizar o Centro Administrativo. Vamos ampliar pelo menos três blocos novos, é o que está programado, e vamos fazer a modernização dos blocos existentes para que a gente não só tenha melhor condições de trabalho, como também para garantir o aproveitamento de forma ecológica dos recursos naturais. Eu firmei uma parceria na Alemanha para a gente ter algo moderno em todo o Centro Administrativo, que vai ser abastecido por energia solar. A gente vai ter algo no Centro Administrativo muito moderno.

O senhor poderia detalhar as obras que serão concluídas em 2016? Nós temos um levantamento, feito por nossa equipe no Governo do Estado, uma carteira de aproximadamente 200 obras, que estão em andamento. Não foram concluídas em 2015 e que ficarão prontas em 2016. São obras de estradas, destaco a estrada de Piripiri para Domingos Mourão, para dar um exemplo; eu destacou hospitais, Unidades Básicas de Saúde, que estão aí para concluir; mercados públicos; pontes; escolas; um conjunto de obras de abastecimento de água e de saneamento; e , certamente, novas obras nós vamos estar iniciando agora em 2016. Nós fechamos o ano com vários convênios com o Governo Federal para compra de equipamentos; para obras; para programas sociais. O nosso foco ainda será essa parte relacionada com a segurança, saúde, educação, essa parte relacionada com a seca. Queremos atuar com todo o rigor, mas, é claro, queremos concluir as obras estruturantes, aquelas que combinam com os investimentos privados para fazer a economia crescer. Foi o crescimento da economia que nos fez chegar até aqui. É fazendo a economia crescer, gerando emprego, gerando renda, que vai nos fazer mais desenvolvidos.

Como ficarão em 2016 a ferrovia Transnordestina e a rodovia Transcerrados? A Transnordestina a gente ainda não termina em 2016, mas a gente está muito mais avançado. Agora, a Transnordestina já ultrapassou de Paulistana para a gente ter mais acesso. A precisão é que o trecho do Piauí no primeiro trimestre de 2017 fique pronto. Ele vai ficar pronto. Nós, inclusive, temos uma alternativa de ter um misto de ferrovia com bitola larga até próximo de Recife (PE), no Porto de Suape, para ter condições de ali fazer um transbordo para andar na ferrovia velha, enquanto a Transnordestina não é concluída, em direção a Recife, em direção ao Porto de Suape. Também em 2018 está previsto concluir todo esse trecho em direção a Fortaleza (CE). Eu destaco ainda que em 2016, nós vamos ter uma novidade importante, vai ser o primeiro furo nessa área de gás e petróleo. Há o compromisso das empresas que estão trabalhando aqui no seu terceiro ano para, em 2016, a gente ter nessa região da Bacia do Parnaíba, entre Amarante e Uruçuí, ter o primeiro furo e, se Deus quiser, a descoberta de gás e, quem sabe, de gás e petróleo também ao lado do Piauí. Essa é uma grande novidade. Assim como passou a ser novidade nesse século a produção de energia eólica, solar em grande escala, também a gente vai ter esse novo fator econômico para comemorar.

As empresas petrolíferas – Ouro Preto, Petrobras e Galp – estão atuando em quais municípios? De Amarante a Uruçuí, indo para a região de São José dos Peixes, em direção ao Centro. O que se avalia é que mais ou menos da metade do Piauí em direção ao rio Parnaíba, todo o Piauí é bacia sedimentar. Exceto na divisa com o Ceará e Pernambuco e Bahia, todo o Piauí é bacia sedimentar. É na bacia sedimentar onde se tem a presença de gás e petróleo. Nós temos um rio que deságua em um delta. Todos os deltas do mundo têm gás e petróleo, é o Delta do Nilo, é o Delta na Argentina, é o Delta do Mekong (EUA). Enfim, todos os deltas do mundo têm gás e petróleo. O que está sendo feito? É a pesquisa para ver, já que está comprovado que tem gás e petróleo, no litoral como na Bacia do Parnaíba. O primeiro furo feito foi no Maranhão porque já tinha um poço antigo, feito nos anos 60 pela Petrobras, que é na região de capinzal, no Maranhão. Lá hoje está sendo extraído 6 milhões de metros cúbicos de gás por dia. Para a gente ter a ideia como é gigante essa bacia de gás nessa região e as empresas estão acelerando os investimentos. Nós, inclusive, alteramos a legislação para facilitar a parte de pesquisa porque era dada à parte de pesquisa a mesma burocracia que era dada à exploração da bacia. A gente facilitou para a parte de pesquisa porque uma coisa é você perfurar um poço para pesquisa, outra é você perfurar um poço para você fazer extração de gás e petróleo. Esse conceito já é abraçado pelo Brasil e pelo mundo e o Piauí também abraçou porque estava com uma legislação atrasada. O Governo do Estado regulamentou e a Assembleia Legislativa aprovou, foi sancionado e está em vigor. Isso vai permitir que um calendário que previa para 2017 e 2018 as primeiras perfurações pudessem ser antecipadas para segundo semestre de 2016 e primeiro semestre de 2017. Por que isso é importante? Porque eu tenho a convicção de que os estudos já demonstram que tem gás e se perfurado vai mostrar que tem grande viabilidade econômica. O que vai sinalizar? É que nos leilões, após o furo, vai se ter uma corrida do mundo, uma valorização dessa área do Brasil para novos blocos de gás e petróleo.

As três empresas investiram quanto? Os investimentos nessa fase são estimados, aproximadamente, em R$ 800 milhões por todas as três empresas que estão atuando no Piauí. Os investimentos são altos. Havendo a descoberta, serão feitos investimentos em gasodutos, em petroquímicas, em termoelétricas a partir gás. São investimentos de bilhões.

Há uma quebra de paradigma porque se pensava que o Piauí teria indústrias tradicionais e o que se vê é o crescimento de empreendimentos no setor energia como eólica, solar e a possível produção de gás? É exatamente isso. Primeiro, o Piauí tem um crescimento grande nas áreas de serviços, educação e saúde e o outro são de áreas que eram desconhecidas, como de gás e petróleo, essa área de energias como eólicas e solar, biomassa, que é um caminho interessante, principalmente na produção da cana-de-açúcar. Temos um investimento grande da Terracal, na região de Guadalupe, que junto com a produção de cana para etanol e açúcar, tem a implantação de uma termoelétrica a partir da queima do bagaço da cana. Nós já temos na Comvap, do Grupo Olho D´Água, na região de União, já está trabalhando a produção de energia para o consumo próprio e para fornecer para a nossa rede de energia elétrica, para quem vende o excedente. Essa área da mineração é uma área que começa a deslanchar. Nós temos empresas interessadas em fosfato, empresas interessadas no calcário marinho, um calcário que fica no mar de nosso litoral, já começam as primeiras operações do ouro em Paulistana. Agora nós conseguimos no último semestre deste ano dar um controle para os investimentos na área dos diamantes na região de Gilbués, que, acredito, vai começar a dar efeito em 2016. Eu acho que é hora da gente dar um passo a mais na exploração da opala. Nós estamos trabalhando ali na região de Pedro II com pequenas empresas, mas eu acho que é hora da gente atrair pelo menos uma empresa âncora que possa trabalhar com as pedras especiais dentro do Piauí para exportar para o mundo. Quando se descobre pedras de grande qualidade, se vende para empresas como H.Stern, mas são beneficiadas em outros países ou em outra região do Brasil. Eu acho que chegou o momento da gente dar um passo a mais.

Como estão os investimentos na área de turismo no Piauí? São muitos os investimentos. Agora, nós vamos ter a conclusão em 2016 do Centro de Convenções de Teresina, queremos iniciar o Centro de Eventos, também em Teresina, mais os Centros de Convenções de Parnaíba, São Raimundo Nonato e, com o setor privado, em Picos e Floriano. A ideia é a gente preparar as regiões todas turísticas do Estado, não só a região do litoral, a região de São Raimundo Nonato em condições de se ter voos regionais, em condições de se ter mais hotéis, mais pousadas e ter mais condições de receber bem os turistas.

No litoral piauiense, o fluxo de investimentos era grande no setor turístico. Muitas empresas desistiram desses investimentos? Os investimentos prosseguem, principalmente na região de Ilha Grande, onde nós estamos tendo neste instante grandes investimentos e também outros investimentos estão acontecendo na região de Barramares. Então, eu acredito que nós vamos ter que resolver na região a questão da água. A adutora do litoral foi iniciada em 2015 e queremos concluir em 2016. Ela é fundamental para o crescimento naquela área. Eu creio que a gente ainda vai ter que trabalhar forte para consolidar as regiões da Serra da Capivara e da Serra das Confusões.

Após sua viagem à Europa, qual foi a esperança que o senhor criou em relação ao Piauí? Investimentos, principalmente nessa área de energia eólica, energia solar com quatro grandes investimentos aqui no Estado, já começando a partir de 2016, um deles, que é o maior, de R$ 1,2 bilhão, o Projeto Nova Olinda, na região de Ribeira do Piauí, Brejo do Piauí, na área de energia solar. É a maior planta de energia solar do Brasil e começa em março. Assim como esse, outros investimentos também vão acontecer em 2016.

Como estão os custos de implantação dos projetos de energia solar no Piauí? O que nós temos hoje são leilões em separado, nos quais o Governo Federal está comprando, o último leilão foi de R$ 301,00 por megawatt, quando na energia convencional fica entre R$ 90,00 a R$ 110,00 por megawatt. Isso é o quê? É uma aposta que o governo brasileiro faz de à medida em que incentiva e induz a implantação de indústria de placas solares, além de indústrias de aerogeradores para a produção de energia eólica e dentro do Brasil vamos reduzir custos. Junto com isso, nós estamos fazendo com que o Piauí fique voltado para pequenas usinas na área de energia, principalmente solar.

O ano de 2016 ainda deverá ser de crise, como o Piauí vai enfrentar? É ainda um ano de crise, mas eu diria que é um ano saindo da crise, diferente de 2015, em que a gente tinha ainda a expectativa de grandes dificuldades, como aconteceu, até o final do ano. É um ano desafiador. Nós vamos ter de trabalhar de modo muito duro em relação ao controle dos gastos, principalmente no primeiro semestre. O que eu quero é que o Piauí não perca a capacidade de investimentos. É por isso que tenho viajado para Brasília, onde estou acompanhando uma rodada de negociações, tanto para a aprovação pelo Senado do empréstimo de R$ 1,2 bilhão do Banco Mundial para o Piauí, que é a grande fonte que nós vamos ter em 2016. Agora, nós temos sempre novidades positivas no Piauí. Agora foi feito o vestibular de uma faculdade particular para o curso de Medicina em Parnaíba. Isso transforma Parnaíba em um polo de educação e saúde.

Como o senhor vai atuar nas eleições de 2016? Vamos tratar em 2016, ainda temos tempo porque as campanhas eleitorais serão deflagradas no segundo semestre do próximo ano.

Fonte: Jornal Meio Norte