VW abre guerra entre a platina e o paládio

A platina e o paládio são dois metais muito dependentes do comportamento do sector automóvel. Têm por isso sentido com grande impacto o escândalo da Volkswagen. Mas de formas opostas. A “chave” está na fraude com o “diesel”.

A platina é utilizada nos dispositivos de controlo de emissões de gases dos automóveis, particularmente nos carros com motores a “diesel”. Quase metade do consumo deste metal (44%) é para estes dispositivos, de acordo com a Bloomberg. Por isso, a perspectiva de uma quebra na venda de automóveis, por causa do escândalo da Volkswagen, está a pressionar os preços do metal, levando-o para mínimos de seis anos.

“Já havia um sentimento negativo significativo em relação à platina”, afirma Philip Newman, à Bloomberg, referindo-se às perspectivas de uma menor procura do metal. “Há preocupações que estão agora a ser exacerbadas pelo que aconteceu na Volkswagen”, disse o director da consultora Metal Focus.

A perda de confiança nos veículos com motores “diesel” pode estimular a compra de automóveis a gasolina, que quase não utilizam platina, notam os analistas. Em vez de platina, o metal utilizado nos dispositivos para controlar as emissões poluentes  é o paládio, que tem por isso beneficiado do escândalo. Acelerou para máximos de dois meses esta semana, após a Volkswagen admitir a fraude nos testes de poluentes.

“O diesel, que utiliza predominantemente platina, pode sofrer enquanto opção para os compradores de veículos, por causa do escândalo da Volkswagen, o que, em contrapartida, seria uma vitória para o paládio”, disse Ross Norman, presidente executivo da corretora de metais Sharps Pixley, à Reuters.

O paládio já começou a brilhar. Avança 7,72% esta semana, para os 658 dólares por onça. Além da Volkswagen, a China contribuiu para o ganho do metal precioso, ao anunciar que pretende incentivar a compra de carros mais ecológicos, para reduzir a poluição atmosférica.

Os analistas estão por isso optimistas para a recuperação do paládio. Pelo contrário, a platina, actualmente a negociar nos 953,60 dólares por onça, poderá transaccionar abaixo dos 900 dólares, admitem os analistas consultados pelo Wall Street Journal. Georgette Boele, estratego de metais preciosos da ABN Amaro, considera que pode cair até 850 dólares, “se os consumidores perderem confiança nos carros a ‘diesel’”

Fonte: J. Negócios