Diamantes rejeitados representariam mais um golpe para Anglo American

Os clientes da De Beers não quiseram comprar cerca de um terço dos diamantes colocados à venda nesta semana pela maior produtora do mundo, segundo duas fontes do setor.

Os compradores, ou “sightholders”, exerceram o direito outorgado pela De Beers neste mês de adiar a aquisição de cerca de 25% das gemas oferecidas e rejeitaram cerca de outros 10%, disseram as fontes, que pediram anonimato porque a informação não é pública. Apenas cerca de US$ 300 milhões dos US$ 450 milhões em diamantes foram comprados, disseram as fontes.

O mais recente sinal de agitações no setor de diamantes, de US$ 80 bilhões, é mais um golpe para a Anglo American Plc, dona de 85% da De Beers, já que comerciantes, lapidadores e polidores estão sofrendo com a escassez de crédito e com uma demanda por joias aquém da esperada. Os compradores na Índia, onde quase 90% das gemas são lapidadas e polidas, ameaçaram proibir as importações neste mês em meio às reclamações pelo excesso de oferta.

No passado, a Anglo contava com as receitas obtidas com os diamantes para compensar o desmoronamento do preço de outros metais e minerais que a empresa extrai. O CEO Mark Cutifani está tentando eliminar empregos, vender minas e reduzir custos porque os investidores estão preocupados com a desaceleração do crescimento da China e porque os preços do cobre, do minério de ferro, do carvão térmico e da platina estão em mercados baixistas ou aproximando-se deles.

É possível que Cutifani seja obrigado a reduzir o dividendo da companhia pela primeira vez desde 2009, segundo analistas do Barclays Plc, do JPMorgan Chase Co. e da Investec Ltd.

A De Beers vende diamantes a preços que fixa em exibições (“sights”) privativas que realiza dez vezes por ano em seus escritórios em Botsuana. Os “sightholders”, que precisam atender aos critérios estabelecidos pela De Beers, devem declarar quantos diamantes pretendem comprar no começo do ano. Eles correm o risco de receber uma quota menor no futuro caso rejeitem demasiadas gemas.

Fonte: UOL Economia