Vale já tem dificuldade para atender à demanda

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Os estragos da crise internacional parecem ter sido deixados para trás no setor de mineração. Ontem, o diretor de Ferrosos da Vale, José Carlos Martins, revelou que a companhia já está com dificuldades para atender o crescimento da demanda por minério de ferro de seus clientes.

“Não estamos entregando mais apenas por questões internas”, disse o executivo, durante uma teleconferência com analistas para detalhar o balanço de 2009. O cenário traçado por Martins para 2010 é bem diferente do vivido pela companhia no início do ano passado, quando houve uma queda drástica da demanda mundial por insumos.

A China, que seguiu na direção contrária, foi a exceção e até elevou suas compras. O movimento minimizou parte das perdas . Em seu balanço financeiro, a companhia destaca que as limitações para atender os clientes devem se estender ao longo de 2010.

Isso porque a mineradora já opera suas minas a plena capacidade e os principais projetos de expansão só entram em operação a partir de 2012. Para este ano, está programada apenas uma ampliação de 10 milhões de toneladas para a mina de Carajás, no Pará. “Há um claro caminho de recuperação (da demanda) neste momento”, disse Martins.

Para ele, isso fica claro com a disparada no preço do minério vendido no mercado à vista. Quanto a isso, o diretor vê com preocupação a grande diferença entre o preço do minério no mercado à vista (spot) e o entregue em contratos de longo prazo. O preço spot subiu e está cotado a US$ 130 por tonelada, o dobro do valor pago em contratos de longo prazo.

O executivo chegou a defender um sistema de preço de referência (benchmark) mais flexível, que permita às mineradoras e siderúrgicas se ajustarem mais rapidamente a mudanças de conjuntura. “O que está acontecendo é completamente diferente do cenário antigo, quando praticamente não havia mercado spot”, afirmou o executivo, ao indicar que a Vale trabalha com esse mercado nas negociações de preço deste ano.

Em 2009, por conta da crise mundial, as siderúrgicas chinesas optaram por não fechar, pela primeira vez, um preço de referência para o minério, preferindo comprar à vista, já que o preço estava mais deprimido. Para se ajustar à nova realidade, a Vale abriu mão dos contratos de longo prazo com os clientes chineses e passou a direcionar boa parte de suas vendas ao spot.

O executivo não detalhou como seria esse novo modelo de reajuste, mas lembrou que o setor de mineração não tem como continuar a conviver com preços tão distantes quanto os praticados atualmente nos mercados spot e de longo prazo. Hoje, 50% do volume total de minério de ferro comercializado é no mercado spot. Para a Vale, interessa manter o sistema de benchmark.

Entretanto, reforça Martins, a discrepância dos preços cria uma arbitragem no sistema: “Todo mundo quer comprar pelo preço de referência dos contratos de longo prazo e revender no mercado spot.”