Para BHP, recomposição de estoques de minério na OCDE está lenta

A recomposição de estoques de minério em países desenvolvidos tem sido lenta e a BHP Billiton continua cautelosa com relação à perspectiva de curto e médio prazo para a economia global, disse o executivo-chefe da mineradora, Marius Kloppers.
Segundo ele, a recomposição de estoques na China contribuiu de maneira importante para a recente recuperação geral da demanda pelo minério da BHP, mas “estamos agora testemunhando o fim desse processo”.
“Tínhamos a expectativa de que uma recomposição semelhante ocorreria nas economias da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) e que isso de certa forma sustentaria a demanda global à medida que o aumento dos estoques na China desacelerasse”, disse Kloppers.
“No entanto, essa recomposição de estoques na OCDE tem sido bastante letárgica até agora”. Ainda assim, Kloppers disse que as perspectivas de crescimento de longo prazo para o setor de recursos naturais são fortes e alertou que a capacidade da Austrália de atender a demanda vai ser novamente colocada à prova. “Há apenas dois anos havia um expressivo diferencial de talento no setor de recursos”, disse ele.
“Eu acredito que esse diferencial vai voltar juntamente com a demanda.” Kloppers também pediu maior aceitação das pessoas ao investimento estrangeiro nas companhias e ativos australianos, tendo em vista a disponibilidade limitada de fontes internas de capital para o financiamento de projetos. Seus comentários coincidem com uma onda de propostas de investimento estrangeiro no setor de recursos australiano, geralmente proveniente de entidades chinesas apoiadas pelo governo.
Kloppers disse que os bancos australianos estão hesitantes em liderar empréstimos sindicalizados para grandes projetos, o mercado de bônus australiano “sempre foi paralisado” e a captação por meio da emissão de ações não é uma solução eficaz de longo prazo.
“Embora não seja algo simples, parte da solução está no investimento estrangeiro, o que significa que tanto a Austrália quanto suas companhias precisam estar abertas a esse tipo de investimento, apesar de suas implicações estratégicas e imediatas”, disse ele.
Kloppers disse ainda que a Índia está “num caminho de crescimento secular” e vai se tornar um mercado muito grande, embora não tanto quanto a China. “Prevemos forte demanda por produtos de energia e carvão de coque na Índia”, disse ele.
