Investidor deixa Petrobras e Vale e segue p/outros fundos de ações

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O investidor está voltando aos fundos de ações disposto a diversificar o seu portfólio. Relatório preparado pelo site financeiro Fortuna (www.fortuna.com.br), especializado em fundos de investimentos, indica que os aplicadores de varejo estão deixando as carteiras compostas apenas por papéis da Petrobras e da Vale e investindo mais nas outras categorias de fundos de ações.

De acordo com o relatório, em princípio, o interesse do investidor pela diversificação está relacionado com a rentabilidade destes fundos no ano. No último quadrimestre do ano passado, entre setembro e dezembro, os fundos de Petrobras e Vale tiveram resgates líquidos (descontadas as aplicações) de R$ 768 milhões, enquanto as demais categorias de fundos de ações voltados para o investidor de varejo registraram saques de R$ 715 milhões. No primeiro quadrimestre de 2009, entre janeiro e abril, as carteiras de uma só ação perderam R$ 229 milhões com resgates e as demais, R$ 401 milhões.

Já no segundo quadrimestre deste ano, entre maio e o dia 21 de agosto, a situação mudou: enquanto os  fundos de Petrobras e Vale continuaram perdendo recursos – R$ 241 milhões – os demais fundos de ações para o varejo tiveram depósitos líquidos de R$ 197 milhões. “É um movimento natural”, afirma o professor de Finanças da Fundação Getúlio Vargas (FGV) William Eid Júnior, ressaltando não ver vantagens na aplicação em fundos de Petrobras e Vale em comparação com a compra direta dos papéis na Bolsa de Valores de São Paulo.

“No ano passado houve quem sacou o dinheiro dos fundos de ações. Agora, o investidor começa a voltar se informando mais e procurando  diversificação.” De acordo com o levantamento do site Fortuna, atualmente os fundos compostos apenas por ações da petrolífera e da mineradora voltados ao pequeno investidor somam um patrimônio de R$ 11,9 bilhões, com 822 mil cotistas, enquanto os demais fundos de ações direcionados ao varejo têm patrimônio de R$ 13,7 bilhões e 595 mil cotistas.

Na Caixa Econômica Federal, a percepção é de que a saída dos fundos de ações da Petrobras e da Vale não foi significativa neste ano. “Não temos registrado entrada de novos recursos, mas também não há muita saída”, afirma o gerente defundos de renda variável do banco, Marcelo de Jesus. Com patrimônio líquido de R$ 1,1 bilhão, o fundo de ações da mineradora (Caixa FI Ações Vale do Rio Doce) teve saída de R$ 30,9 milhões no ano (até dia 21).

Já a carteira de ações da petrolífera(Caixa FI Ações Petrobras), com patrimônio de R$ 1,5 bilhão, registrou resgates líquidos de R$ 27,5 milhões no mesmo período. Em contrapartida, um fundo de ações do setor de construção civil lançado em junho teve depósitos de R$ 8,1 milhões desde que foi criado, segundo os dados do Fortuna.

“Não sentimos ainda um apetite forte dos investidores”, afirma Jesus. “Mas com o cenário mais definido daqui para frente, acreditamos que devem ser retomados os investimentos nos fundos de ações.” Segundo o relatório do Fortuna, uma das principais razões para a retomada das aplicações nos fundos de ações – que não os de papéis daPetrobras e da Vale – pode ser a rentabilidade das carteiras. Na média, os fundos de small caps, por exemplo, deram retorno de 69,7% no ano, enquanto os setoriais livres renderam 51%.

Os fundos indexados ao Ibovespa tiveram rentabilidade de 51% – acima do retorno dos fundos de ações da petrolífera (47,2%) e da mineradora (35,8%). “Apesar do movimento recente de diversificação por parte dos investidores de varejo ser, aparentemente, muito influenciado pela rentabilidade passada, a diversificação é positiva para o mercado de fundos de investimento”, destaca o relatório.