Produção de minério da Vale teve queda de 37% no primeiro trimestre

Maior empresa privada brasileira, a Vale teve uma produção “magra” no primeiro trimestre do ano. A extração de seu principal produto, o minério de ferro, foi 37,1% inferior à do início de 2008. Na comparação com o último trimestre do ano passado, a queda foi um pouco menor: 25,9%.

A queda na produção, na comparação com janeiro a março do ano passado, foi de 27,6 milhões de toneladas – ou seja, o estrago foi maior do que teria sido a paralisação do complexo de Carajás (PA), a principal mina produtora da companhia, durante todo o trimestre. Os números negativos, em comparação com o primeiro trimestre de 2008, quando a mineradora deslizava com facilidade num mercado de demanda superaquecida, se sucederam em toda a linha de produção.

Foram -69,9% na produção de pelotas; -77,1% na de manganês e ferro-ligas; -10,9% em níquel; -13,1% em bauxita; -7,2% em alumina; -10,3% em alumínio, e -10,2% em cobre. Os cortes na produção refletem a virada mundial em meio à crise: menos investimentos, menos encomendas, menos aço produzido, menos minério vendido. Ontem, na China, Michael Zhu, presidente da Vale China, em apresentação na “Metal Bulletin Far East Steel Conference”, atribuiu o corte de produção a um “efeito combinado de iniciativas” para combater a crise.

Também fazem parte dessas iniciativas os descontos de 20% negociados na venda de minério às siderúrgicas chinesas há cerca de dois meses. Nos bastidores da conferência, Zhu disse que não são propriamente um descontos, mas “preços provisórios”. “A diferença será devolvida após os termos contratuais dos preços de 2009 serem definidos”, disse. Na avaliação do mercado, porém, a Vale está apenas antecipando o reajuste para baixo que será feito este ano, evitando ter ela mesma de fazer o ajuste retroativo em suas contas.

A China, sozinha, respondeu, em 2008, por 17,3% de todo o minério vendido pela Vale. A Ásia é o mercado prioritário da mineradora, com 40,9% das vendas. A recuperação mundial e, particularmente, a asiática, vai ditar a retomada de ritmo na produção da mineradora, que já dispensou 1,3 mil trabalhadores. PESO Todos os números na Vale são grandiosos, inclusive o seu peso para a economia nacional.

Com saldo líquido (exportações menos importações) de US$ 16,2 bilhões nas vendas externas em 2008, a empresa respondeu por 65,2% do superávit da balança comercial brasileira. Embora seu valor de mercado no fim de 2008 tenha caído para US$ 61,9 bilhões, ainda equivale a cerca de 4% de todo o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. A Vale atribuiu os cortes de produção à queda da fabricação de aço na Europa (43,8%), nos EUA e no Canadá (52,1%), e no Brasil (42,1%). Mas se mostrou confiante numa retomada asiática, “apesar da profunda recessão japonesa”, já que naquele continente a queda no primeiro trimestre foi de 8,9%. A queda de produção, confirmada ontem em relatório distribuído pela empresa, não surpreendeu o mercado.

“São dados ruins, fracos, mas, que já estavam na conta do mercado”, disse o chefe da área de análise da Modal Asset, Eduardo Roche. Segundo ele, a companhia buscou nesse período se ajustar à nova realidade econômica. O analista da Corretora SWL Pedro Galdi disse que a Vale não teria outro caminho a não ser pisar no freio e diminuir o ritmo de produção.

A dúvida agora é saber como a demanda se comportará no segundo trimestre. Nesse sentido, a China terá novamente um papel fundamental. “Os sinais já apontam para uma queda de estoques. Se isso se confirmar, podemos começar a esperar um aumento nos pedidos das siderúrgicas”, disse Galdi.