Rio Tinto diz que recuperação de commodities é improvável em 2009

A mineradora australiana Rio Tinto apresentou uma avaliação sombria dos mercados globais de commodities, afirmando que é improvável que haja uma recuperação neste ano e alertando que o período de baixa continuará prejudicando seus lucros. Em seu relatório anual, a empresa disse que a atividade econômica continuará diminuindo e que os indicadores antecedentes apontam que qualquer recuperação não deverá começar antes do segundo semestre do ano.

“Os preços não deverão apresentar recuperação em 2009″, disse a companhia, acrescentando que a demanda por metais na China deve crescer apenas em um dígito neste ano, insuficiente para compensar o declínio em outros mercados. Nos últimos anos, a demanda chinesa vinha crescendo 20%. A mineradora alertou que as condições difíceis continuarão atingindo seu lucro e que o crescimento mais lento na China poderá significar preços mais baixos do minério de ferro e mais enfraquecimento da demanda pela commodity. A redução significativa recente dos preços das commodities e da demanda global para os produtos do grupo tiveram e deverão continuar tendo um grande impacto adverso sobre os negócios da empresa, suas condições financeiras e os resultados de suas operações”, disse a Rio Tinto.

Apesar da avaliação desfavorável, o chairman do grupo, Paul Skinner, disse que a companhia ainda espera que o crescimento da China no longo prazo seja um grande propulsor da demanda por commodities e que, quando a atividade econômica global se recuperar, a China poderá também se recuperar rapidamente e impulsionar os mercados de metais. “Da mesma maneira que a China desacelerou-se rapidamente, causando um impacto forte sobre a demanda de metais, ela também trabalhará poderosamente no período de recuperação”, disse Skinner. No relatório, a Rio Tinto alertou que, se não conseguir concluir o acordo com a Chinalco e não puder vender ativos ou levantar fundos por meio de outras fontes, poderá ser obrigada a renegociar suas linhas de crédito sob condições mais onerosas.

A Rio Tinto tem de pagar US$ 8,9 bilhões em outubro e outros US$ 10 bilhões em outubro de 2010. O Conselho de Revisão do Investimento Estrangeiro da Austrália decidiu ontem estender de 30 para 90 dias o período de revisão do acordo de US$ 19,5 bilhões com a Chinalco, que pode dar à empresa chinesa uma fatia de até 18% na mineradora e uma participação de até 50% em alguns de seus ativos mais importantes. A Chinalco é apoiada pelo governo da China, que, por sua vez, é o país que mais consome o minério da Austrália. Com o acordo, a Chinalco também terá dois assentos no conselho da Rio Tinto. Há especulações de que a aprovação do acordo com a Chinalco poderia ser usada como ferramenta de troca nas negociações entre a Austrália e China sobre um acordo de livre comércio.

O Ministro de Comércio da Austrália, Simon Crean, disse, no entanto, que os dois assuntos estão sendo tratados em separado. “Não fizemos nenhuma conexão entre as duas questões, nem os chineses”, disse ele. Crean disse que o investimento estrangeiro na Austrália será submetido ao teste do interesse nacional e que a promoção do crescimento faz parte desse teste. Também hoje, a Rio Tinto disse que Jan du Plessis substituirá Paul Skinner no cargo de chairman do conselho após a assembleia do grupo em 20 de abril. Plessis é chairman da British American Tobacco desde 2004 e é a segunda opção da companhia. A Rio Tinto havia escolhido Jim Leng para o cargo em janeiro, mas Leng renunciou ao conselho da Rio Tinto no dia 9 de fevereiro, após conflitos em torno da transação com a Chinalco.