Mineração de potássio no Brasil: Ministério da Agricultura compra briga

Reportagem da “Folha de São Paulo” desta segunda-feira informa que o Ministério da Agricultura receberá, no próximo dia 25, um relatório completo sobre as jazidas de fósforo e potássio em território brasileiro. O estudo foi encomendado pelo órgão ao Departamento Nacional de Produção Mineral, e inclui tanto jazidas confirmadas quanto potenciais dos dois elementos, utilizados como fertilizantes.

A movimentação se deve ao forte aumento dos insumos agrícolas nos últimos meses, que acumulam alta de até 300% desde o início de 2007; soma-se a isso a estimativa de que o consumo de fertilizantes no país cresça de 10 milhões de toneladas por safra, como atualmente, para 25 milhões, em apenas dez anos. Segundo Ali Saub, assessor do Ministério, “o saldo da balança comercial do agronegócio vai atingir US$ 18 bilhões em 2009. Quer dizer: vamos gastar nosso saldo com fertilizante”.

Uma velha conhecida do Portal do Geólogo, a reserva de potássio da Petrobras na Amazônia também voltou aos planos: o governo pedirá à Vale, que já explora uma reserva de potássio em Sergipe, para aceitar a missão de produzir o mineral também na Amazônia, como forma de diminuir a dependência brasileira de importações, hoje na faixa de 91%. Estima-se que a jazida amazônica necessite de até US$ 2 bilhões em investimentos, fora os custos ambientais. A logística também é complicada: o potássio está depositado numa região chamada Nova Olinda, às margens do rio Madeira, a 1,2 mil metros de profundidade, contabilizando milhões de toneladas de rejeito que terão de ser transportadas para o oceano.

A última tentativa de viabilizar a produção de potássio na Amazônia, feita quando a tonelada do potássio valia um quarto dos atuais US$ 600, não deu certo. Sobre o fósforo, a situação é menos complicada: a “Folha” informa que existem dez minas em operação no Brasil, além de outras nove em vários estágios de estudo.